Ministro da Bolívia anuncia base da PF do Brasil contra disputa entre PCC e Comando Vermelho

Leonardo Cabral em 03 de Agosto de 2026

Leonardo Cabral/Diário Corumbaense

O ministro da Defesa da Bolívia, Marco Antonio Oviedo, anunciou nesta segunda-feira (3) que a Polícia Federal brasileira terá um posto permanente em território boliviano. A medida faz parte de um acordo de cooperação entre os dois países para reforçar o combate ao crime organizado e ampliar a troca de informações entre as forças de segurança.

Oviedo esteve em Santa Cruz de la Sierra, a cerca de 650 quilômetros de Corumbá, para participar do funeral do segundo-tenente Yerson Salazar, policial boliviano morto durante uma investigação sobre o assassinato de quatro pessoas em San Matías, cidade boliviana localizada na fronteira com Cáceres (MT).

Em entrevista a jornalistas, o ministro fez duas revelações sobre a onda de violência que atingiu Santa Cruz nos últimos dias. Ataques praticados por pistoleiros deixaram nove mortos em diferentes ocorrências.

Segundo Oviedo, além da instalação de um posto permanente da Polícia Federal na Bolívia, a Polícia Boliviana também deverá manter uma estrutura de atuação no Brasil, com o objetivo de coletar informações e garantir um fluxo permanente de dados entre as instituições.

A intenção, segundo o ministro, é permitir que as forças de segurança dos dois países atuem de forma integrada contra o crime organizado, especialmente nas regiões de fronteira.

Acordo prevê plano “Fronteiras Seguras”

Oviedo explicou que a iniciativa está relacionada aos acordos firmados em abril entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente boliviano Rodrigo Paz.

Reprodução/El Deber

Marco Antonio Oviedo também afirmou que polícia boliviana terá base no BrasilDe acordo com o ministro, nas próximas duas semanas será lançado o plano denominado “Fronteiras Seguras”, que prevê ações conjuntas para controlar e reprimir atividades criminosas nos principais pontos de fronteira entre Bolívia e Brasil.

A primeira etapa deverá contemplar localidades consideradas estratégicas para o tráfico de drogas e a circulação de criminosos, como Cobija, Guayaramerín, San Matías e Puerto Suárez. Esta última cidade faz fronteira com Corumbá (MS).

“Nas próximas duas semanas, lançaremos um plano chamado ‘Fronteiras Seguras’. Começaremos pelo Brasil, instalando mecanismos para controlar e reprimir o crime em postos de fronteira como Cobija, Guayaramerín, San Matías e Puerto Suárez. “Realizaremos operações conjuntas entre as polícias boliviana e brasileira”, afirmou Oviedo.

PCC e Comando Vermelho disputam rota do narcotráfico

Durante a entrevista, o ministro também confirmou a presença e o confronto entre duas das principais facções criminosas brasileiras na Bolívia: o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV). Segundo Oviedo, os grupos disputam o controle de territórios e da rota utilizada para o transporte de drogas para outros países.

O ministro relacionou a morte do segundo-tenente Yerson Salazar à fragilidade estrutural enfrentada pelo Estado boliviano diante do poderio das organizações criminosas ligadas ao narcotráfico. “Este jovem policial morreu devido a uma fragilidade estrutural que temos como Estado, uma disparidade no poderio militar dos narcotraficantes”, declarou.

Oviedo afirmou ainda que a atuação do narcotráfico no país é resultado de aproximadamente duas décadas de infiltração e consolidação de organizações criminosas. “Estamos vivendo tempos muito difíceis, com duas grandes organizações criminosas brasileiras em conflito na Bolívia”, afirmou.

De acordo com o ministro, PCC e Comando Vermelho disputam território em solo boliviano para controlar o narcotráfico. 

Ao comentar a morte do policial e a escalada da violência, Oviedo garantiu que o governo boliviano pretende intensificar o enfrentamento às organizações criminosas. “Isso não ficará impune. Vamos lutar contra isso”, afirmou o ministro da Defesa.

Com informações do jornal El Deber.