Campo Grande News em 16 de Setembro de 2026

Paulo Francis/Campo Grande News

Vera Lucia Rossate da Cunha, de 59 anos, foi morta a tiros na tarde desta quarta-feira (16), dentro do próprio comércio, uma loja de aviamentos na rua Sagarana, no bairro Zé Pereira, região oeste de Campo Grande. Conforme informações preliminares, o autor é irmão da vítima e tirou a própria vida logo após cometer o feminicídio.

O Corpo de Bombeiros e a Polícia Militar foram acionados, mas Vera não resistiu e morreu no local. Equipes da Deam (Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher) também seguiram para o endereço para iniciar as primeiras diligências. A dinâmica do crime e a motivação ainda serão apuradas pela Polícia Civil.

O Corpo de Bombeiros Militar chegou ao local e as vítimas já estavam mortas. Um dos vizinhos ouviu os disparos e reconheceu o autor como irmão da vítima.

Uma amiga da vítima, Laura Leite da Silva, de 60 anos, contou à reportagem que a conhecia há mais de 20 anos. “Ela sempre morou aqui no bairro, trabalhava em um banco e depois abriu o próprio negócio. Nós conversávamos praticamente todos os dias”, detalhou emocionada.

Ainda segundo Laura, hoje mesmo a vítima mandou mensagem à amiga, sobre uns produtos que ela queria encomendar. “Mês passado eu estive aqui, a gente conversou, estava tudo de boa. Ela estava feliz por ter me visto, porque eu estava me recuperando de um câncer”, contou.


Já vinha sendo ameaçada

Vera Lúcia já vinha demonstrando preocupação com o irmão, Judicrei Rossate da Cunha, de 57 anos. Segundo uma amiga, a vítima havia providenciado a internação dele para tratar o vício em drogas e, após receber alta recentemente, ele passou a fazer ameaças por telefone.

Também amiga de Vera, Liane Kublik, de 56 anos, disse que conversou com a vítima na semana passada e percebeu que ela estava tensa por causa do comportamento do irmão. Vera teria relatado que Judicrei estava “bravo no telefone” e fazendo ameaças, mas, naquele momento, não acreditava que ele pudesse chegar a cometer o crime.

“Ele era usuário de drogas, ela estava ajudando ele. Tanto que eu falei para ela quando ele saiu. Perguntei se ele estava bem, semana passada. Ela disse que ele estava bem, mas estava com aquelas atitudes de ameaçar, bravo no telefone. A princípio ela não achou que ele ia fazer nada”, contou Liane.

Reprodução/Redes Sociais

Vera Lucia Rossate da Cunha, de 59 anos, já vinha sendo ameaçada pelo irmãoAinda conforme a amiga, Vera passou a ficar mais apreensiva nos últimos dias. Ela chegou a pedir aos vizinhos que a avisassem caso Judicrei aparecesse na região.

“Desde sexta-feira ela estava bem tensa. Eu não entendi. Ontem foi aniversário do meu neném, ela mandou presente, mas estava tensa. Talvez, no subconsciente dela, estava prevendo”, relatou.

Liane disse ainda que Vera havia acompanhado de perto o tratamento do irmão e que Judicrei tinha histórico de uso de drogas havia cerca de 10 ou 15 anos. Ele não morava com a vítima e, segundo a amiga, também não costumava visitá-la.

“Não faz muito tempo que ele saiu. Ela levou e buscou ele lá”, contou Liane, referindo-se à internação.

26 casos no ano em MS

A morte de Vera é o 26º caso de feminicídio registrado neste ano em Mato Grosso do Sul. O caso anterior no Estado, foi o de Adriele dos Santos, de 34 anos, morta em 29 de agosto, em Campo Grande. O suspeito, Aparecido de Souza Doirado, foi preso no mesmo dia.

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