Campo Grande News em 20 de Agosto de 2026
Reprodução
Joseane Oliveira Nunes, de 33 anos, foi encontrada morta com golpes de foice na cabeça dentro de uma casa situada na rua Luiz Hilário Campos Leite, região do bairro Cristo Redentor, em Campo Grande, durante o início da noite de quarta-feira (19). Lourival da Cruz Neto, conhecido como “Bola” é acusado de cometer o crime.
Uma testemunha relatou ter ouvido um pedido de socorro e, ao entrar no imóvel, encontrou Joseane ensanguentada. No mesmo momento, viu Lourival deixando o endereço de bicicleta. Outra testemunha afirmou ter visto o companheiro da vítima fugir em uma bicicleta azul.
Durante a fuga, um celular Xiaomi preto caiu em frente à residência. Equipes da Polícia Militar, da Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher e do Grupo de Operações e Investigações estiveram no local.
Lourival foi preso na manhã desta quinta-feira (20), em Jaraguari, a 47 quilômetros de Campo Grande. equipes do 9º BPM (Batalhão da Polícia Militar) levantaram a informação de que Lourival fazia diárias na Ceasa (Centrais de Abastecimento de Mato Grosso do Sul), na Capital.
Os policiais foram até um dos boxes do local e, durante entrevistas, descobriram que o suspeito tinha parentes em Jaraguari. A informação foi repassada às forças de segurança do município.
A Polícia Militar de Jaraguari iniciou rondas em conjunto com a Polícia Civil. Durante as buscas, uma equipe da Polícia Civil localizou Lourival em um posto de combustíveis, a cerca de três quilômetros da entrada da cidade. Ele deve ser encaminhado a Deam (Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher), na Capital, para os procedimentos legais e ficará à disposição da Justiça.
Medida protetiva revogada
Antes de ser morta, a vítima manifestou o desejo de revogar a medida protetiva de urgência que havia solicitado contra o companheiro, com quem estava junto havia cerca de quatro anos.
Conforme apurado pela reportagem, Joseane solicitou a medida protetiva no dia 11 de julho, mesma data em que registrou boletim de ocorrência contra Lourival por violência doméstica. Conforme o registro, os fatos ocorreram na casa da sogra, no bairro Jardim das Cerejeiras.
Dez dias depois, ela pediu a revogação da medida protetiva. A manifestação formal ocorreu em 16 de agosto, três dias antes de ela ser morta. Na ocasião, procurou a Defensoria Pública, informou que continuava com o companheiro e declarou não ter mais interesse na manutenção da proteção.
Testemunhas relataram à polícia que, na época, o casal não chegou a permanecer sequer um dia separado. Os dois continuaram juntos e estavam morando na mesma residência.
Um amigo de Joseane Oliveira Nunes acredita que o crime tenha sido motivado por ciúmes. O homem, que pediu para não ser identificado, esteve no local na manhã desta quinta-feira (20) e relatou à reportagem o que teria acontecido nas horas que antecederam o feminicídio.
Segundo ele, na noite do crime, duas amigas estavam com Joseane na casa, mas ele disse não conhecê-las. Os três filhos da vítima não moravam no imóvel. Na residência viviam apenas Joseane e o companheiro.
Direto das Ruas/Campo Grande News
Lourival da Cruz Neto, conhecido como “Bola”, é acusado do feminicídio de Joseane Oliveira Nunes, morta com golpes de foice na cabeçaO amigo contou que Lourival trabalhou durante todo o dia e, em determinado momento, usou o celular de um colega de serviço para enviar uma mensagem a Joseane, pedindo que ela preparasse o almoço. Durante a conversa, segundo o relato, ele teria visto no aparelho uma mensagem acompanhada de um emoji com um dos olhos fechados e a língua para fora, o que teria despertado ciúmes.
Ainda de acordo com a testemunha, depois disso Lourival retornou para casa. No caminho, passou pelo amigo e encontrou Joseane sentada na varanda do imóvel. Conforme o relato, o suspeito pediu o celular da companheira.
“Me dá seu celular”, teria dito. Joseane respondeu que o aparelho não pertencia a ele. Mesmo assim, Lourival tomou o telefone da mão dela, disse que queria apenas verificar uma coisa, abriu o aparelho, olhou o conteúdo e depois o devolveu.
Na sequência, conforme o amigo, Lourival saiu de bicicleta. A testemunha acredita que ele tenha ido comprar droga. Depois, o viu comprando cerveja e retornando muito nervoso. Segundo o relato, o suspeito chegou a passar por cima de um cachorro enquanto pedalava.
O amigo disse que deixou o local e foi para casa tomar banho. Quando retornou, encontrou a rua tomada por viaturas. Foi então informado por uma mulher de que “Bola” havia matado Joseane. O homem está foragido.
Ele afirmou, porém, que Lourival já apresentava comportamento agressivo anteriormente e fazia comentários indicando que sabia que poderia acabar preso. “Ele falava para mim que estava metendo o louco porque sabia que, quando fosse preso, não ia mais sair tão cedo”, relatou.
O amigo também afirmou que já havia sido ameaçado de morte pelo suspeito e que Joseane também teria sofrido ameaças. Segundo ele, Lourival era agressivo com outras pessoas da própria família, inclusive a mãe dele. “Um cara que bate na própria mãe tem coragem de matar qualquer um. Batia na própria mãe, batia nos primos. A família toda tem medo dele”, afirmou.
Joseane tinha três filhos, com idades entre 11 e 17 anos. É o 22º feminicídio registrado este ano no estado.
