Após superar um câncer de rim aos 5 anos, a paulistana Maitê Lago Romano viveu um momento muito especial acompanhada da família: a pequena conheceu o técnico do Palmeiras, Abel Ferreira, por quem tem grande admiração. “Depois de tudo o que vivemos durante o tratamento, ver a Maitê sorrindo, correndo e realizando um sonho foi emocionante. Foi como celebrar a vida. Tenho certeza de que esse dia será uma das lembranças mais bonitas da infância dela”, afirmou a mãe, Priscila Cardoso Lago, de 41 anos, ao Terra.
O amor de Maitê pelo Palmeiras e pelo treinador foi crescendo ao longo dos anos desde que ela nasceu. Segundo a mãe, a filha sempre acompanhou o clube com o pai, Orlando Romano Neto, de 38 anos, e vivenciou muitos jogos em que o Palmeiras foi campeão. “Ela criou um carinho enorme pelo Abel e pelo time.”
Priscila conta que o caminho até chegar ao técnico começou “de forma muito espontânea”. Por ter essa paixão pelo Palmeiras e um carinho muito especial por Abel, a menina falou desse desejo de conhecer o treinador em um dos vídeos publicados nas redes sociais no dia da sua alta após a última quimioterapia, em junho deste ano. Com a ajuda do projeto Amigos do Capitão –grupo que se veste de super-heróis para levar alegria a crianças em tratamento oncológico–, o vídeo repercutiu e chegou ao Palmeiras.
“Foi o próprio clube que entrou em contato conosco e organizou esse encontro tão especial. Quando recebemos a notícia, foi uma emoção enorme, porque jamais imaginávamos que aquele sonho pudesse se tornar realidade”, lembra a mãe.
O dia de conhecer o Abel Ferreira
O encontro aconteceu no dia 11 de julho, na Academia de Futebol do Palmeiras, localizada na Zona Oeste da capital paulista. Maitê estava acompanhada da mãe, do pai e do Amigos do Capitão. “O Abel nos recebeu com muito carinho, conversou com ela, foi extremamente atencioso e fez com que ela se sentisse importante e acolhida. Não foi apenas um encontro com um técnico de futebol, mas um gesto de humanidade que ficará para sempre na nossa memória.”
A mãe de Maitê destaca que o tempo que passaram juntos com o treinador criou uma lembrança eterna na família: “Foi um gesto de generosidade e sensibilidade que jamais vamos esquecer. Depois de tudo o que a Maitê enfrentou durante o tratamento, viver esse momento representou muito mais do que conhecer um ídolo: foi celebrar a vida, a esperança e a realização de um sonho.”
Durante a visita, a pequena conheceu o centro de treinamento do time profissional, brincou, tirou uma série de fotos, gravou vídeos, além de ganhar presentes especiais do técnico alviverde, como mochila, garrafa, manta, toalha, o mascote do Palmeiras e um colar com pingente e um par de brincos de prata do Palmeiras.
“É até difícil dizer do que ela mais gostou, porque tudo o que vem do Palmeiras ela ama de verdade. Para ela, o valor não está no preço de cada presente, mas no carinho com que tudo foi preparado. Ela ficou encantada com cada detalhe e guarda tudo com muito carinho”, diz Priscila.
Filha única, Maitê foi diagnosticada com o tumor de Wilms (ou nefroblastoma), um câncer que surgiu nos dois rins da menina, quando tinha apenas 3 anos. Priscila recorda que “a notícia foi um choque” para a família.
“Até aquele momento, o câncer era algo que existia na vida de outras pessoas e, de repente, ele estava dentro da nossa casa, na nossa filha. Vieram o medo, a insegurança e muitas dúvidas. O primeiro pensamento foi: ‘Será que ela vai sobreviver?’. Nenhum pai ou mãe está preparado para ouvir que o filho tem câncer. É uma dor impossível de descrever”, afirma.
A partir do diagnóstico, a rotina deles mudou completamente: passaram a viver entre hospitais, consultas, exames, internações e sessões de quimioterapia, radioterapia e cirurgias para a retirada do tumor bilateral. No total, a menina realizou 44 ciclos de quimioterapia, o que, conforme a mãe, representa cerca de 200 sessões do tratamento, mais seis sessões de radioterapia. Na cirurgia, o rim do lado direito foi preservado, enquanto o esquerdo só conseguiu manter 20%.
Maitê respondeu bem ao tratamento e está curada. A última bateria de exames não apresentou mais sinais de células cancerígenas, mas, agora, após o fim do tratamento, ela vai passar por novos exames em agosto para confirmar o resultado e continuará com acompanhamento médico periódico.
“Durante cerca de um ano e meio, nossa prioridade foi uma só: lutar pela vida da Maitê. Apesar de tudo, ela nos surpreendeu todos os dias. Mesmo enfrentando um tratamento intenso, manteve a alegria, o sorriso e uma força que inspirava todos ao redor. Foi ela quem nos ensinou, diariamente, o verdadeiro significado da coragem e da esperança”, ressalta Priscila.
Ao longo de todo o processo, a família foi registrando cada etapa dessa caminhada nas redes sociais, principalmente para manter familiares e amigos informados sobre o tratamento e como uma maneira de guardar essas lembranças para Maitê no futuro. Com o tempo, o perfil no Instagram passou a alcançar pessoas que eles não conheciam, vídeos viralizaram e tiveram milhões de visualizações e a família começou a receber mensagens de outros pais que estavam vivendo o mesmo processo e contavam que passaram a acreditar na cura vendo a história da Maitê.
“Hoje entendemos que criar o Diário da Cura da Maitê ganhou um propósito muito maior. Ele deixou de ser apenas o registro da história da nossa filha e se tornou um espaço de acolhimento, informação e esperança para outras famílias que estão vivendo o câncer infantil. Se a nossa história conseguir levar esperança para uma única família que acabou de receber um diagnóstico de câncer infantil, então todo esse caminho já terá valido a pena”, afirma a mãe. Priscila ainda revela que o diário da cura da Maitê em breve vai virar um livro para ajudar outras famílias.
Fonte: Portal Terra
