PorErik Silva2 de maio de 2026
O Ministério Público do Rio de Janeiro apresentou denúncia à Justiça contra Márcio Santos Nepumuceno, conhecido como Marcinho VP, sua mulher Marcia Gama Nepomuceno, o filho Mauro Nepomuceno, o Oruam, e mais nove pessoas, por organização criminosa e lavagem de dinheiro.
A Polícia Civil cumpriu, nesta semana, mandados de prisão e de busca e apreensão relacionados aos investigados, que passam a responder criminalmente pelos fatos narrados na peça acusatória.
A 3ª Promotoria de Investigação Penal Especializada descreve o funcionamento do grupo voltado para a lavagem de recursos oriundos do tráfico de drogas em comunidades do Rio de Janeiro e apresenta elementos que sustentam a peça ministerial.
Segundo a denúncia, Marcinho VP mantém influência hierárquica dentro da facção Comando Vermelho apesar de estar preso há mais de 20 anos. Ele está recolhido no presídio federal de segurança máxima em Campo Grande no Mato Grosso do Sul.
O Ministério Público aponta Marcia Gama Nepomuceno como gestora financeira do grupo, responsável por receber valores em espécie regularmente de outros traficantes do Comando Vermelho e por adquirir e administrar estabelecimentos comerciais, imóveis e fazendas com o objetivo de ocultar o patrimônio.
De acordo com a denúncia, Mauro Nepomuceno, o Oruam, foi beneficiário direto das transferências de dinheiro ilícito e utilizou a carreira musical para camuflar a origem dos recursos obtidos nas atividades criminosas da organização.
Estrutura da organização
A peça acusatória organiza o grupo em quatro núcleos distintos. O núcleo de liderança encarcerada é formado por Marcinho VP e é apontado como responsável pelo controle direto da movimentação de recursos e pela tomada de decisões estratégicas.
O núcleo familiar reúne Marcia e Oruam e é descrito como responsável por intermediar a execução das ordens provenientes da liderança e pela gestão dos ativos adquiridos para ocultação.
O núcleo de suporte operacional presta auxílio às práticas de lavagem de dinheiro e atua para camuflar o crescimento patrimonial decorrente das atividades ilícitas.
O núcleo de liderança operacional opera nas comunidades na execução das práticas criminosas, entre elas o tráfico de drogas, e responde por receber valores dessas atividades e repassar parte ao núcleo familiar.
Acompanhamento e desdobramentos
A denúncia foi oferecida à Justiça com base nas apurações da 3ª Promotoria de Investigação Penal Especializada, que detalhou as transações financeiras e a forma de ocultação patrimonial adotada pelos denunciados.
Conforme as informações oficiais, o caso segue em tramitação judicial e os autos passaram a incluir os resultados das medidas executadas pela Polícia Civil, sem que a Promotoria tenha indicado, até o momento, deliberações finais sobre pedidos cautelares extras processuais.
O processo agora seguirá os ritos previstos, com a possibilidade de novas diligências e a apreciação das medidas coercitivas e das provas apresentadas pelo Ministério Público.
