Marinhas brasileira e francesa realizam exercício conjunto na costa do Rio

PorErik Silva2 de maio de 2026

Cerca de 1,7 mil militares das marinhas do Brasil e da França, além da 9ª Brigada do Exército Francês, participaram de um exercício conjunto realizado na Ilha da Marambaia, na Costa Verde do Rio de Janeiro, como parte da Operação Jeanne d’Arc 2026. Equipes da Agência Brasil e da Rádio Nacional acompanharam os últimos dias da missão no Rio de Janeiro na segunda-feira (27) e na terça-feira (28).

O navio porta-helicópteros francês Dixmude transportou equipamentos e militares envolvidos e serviu de base para deslocamentos e preparativos realizados no primeiro dia da operação. A bordo, houve deslocamento do cais do porto do Rio até Itacuruçá, distrito de Mangaratiba, com posterior preparação para o adestramento anfíbio que ocorreu na terça-feira na Ilha de Marambaia.

Os exercícios anfíbios realizados envolveram a transição do ambiente marítimo para o terrestre como ponto central, incluindo tiro prático, progressão em um campo minado simulado e procedimentos de primeiros socorros. Atividades combinaram meios submarinos, veículos anfíbios, apoio aéreo e forças terrestres.

O Dixmude possui capacidade para transportar até 650 soldados, 16 helicópteros, 110 veículos blindados e 13 tanques, e com quase 200 metros de comprimento e mais de 9 mil metros quadrados distribuídos em 12 andares reúne hospital, capela, restaurante, academia e estruturas hoteleiras, informação que demonstra a versatilidade empregada durante a operação.

Luiz Felipe de Almeida Rodrigues, comandante do 2º Batalhão de Infantaria de Fuzileiros Navais da Marinha Brasileira, afirmou que a ação representa uma oportunidade de intercâmbio de procedimentos e técnicas entre as forças e destacou vantagens comparativas entre os meios empregados. “É um crescimento de todos nós, utilizando, por exemplo, o carro lagarta anfíbio, uma capacidade de um veículo blindado que sai do navio para a terra, que o francês não dispõe ainda hoje. Em contrapartida, utilizar os meios deles, com as embarcações desembarque e com seus carros blindados.”

Luiz Felipe acrescentou que operar com o navio traz conhecimento prático importante para as Forças Armadas brasileiras e que a experiência conjunta antecipa saberes estratégicos. “A oportunidade de operar, com o nosso navio, o porta-helicópteros Dixmude cresce de importância para que a gente já ganhe esse know-how para a utilização de navios anfíbios.”

O comandante do grupo francês, Jocelyn Delrieu, ressaltou a multifuncionalidade do Dixmude e relacionou suas capacidades às diferentes formas de projeção de força e apoio logístico. “Por um lado, é um navio de assalto anfíbio capaz de projetar forças do mar para a terra usando seus veículos anfíbios, mas também de fazê-lo por helicóptero. É também um navio-hospital, com recursos que ficam à disposição das Forças Armadas.”

Delrieu situou a operação no contexto histórico da Marinha francesa e na presença global que a instituição mantém. “Há 400 anos, a Marinha francesa está presente em todos os oceanos para proteger nossos interesses e trabalhar com nossos parceiros e aliados. Esta missão, que acontece aqui no Brasil e ao redor do mundo durante cinco meses, é um exemplo da longa história.”

A presença francesa na operação reflete interesses diretos na região, em especial na Guiana Francesa, e contribui para reforçar a posição do Brasil como principal ator naval no Atlântico Sul, conforme o contexto das ações conjuntas. A missão marítima francesa terá duração de cinco meses e passará por diversos países ao longo do período.

As atividades no litoral fluminense incluíram a coordenação entre embarcações, blindados anfíbios e helicópteros, e visaram consolidar procedimentos operacionais e o intercâmbio de know-how entre as forças participantes, mantendo a operação alinhada com os objetivos da Jeanne d’Arc 2026.