Concessão da Rota da Celulose inicia com R$ 10,1 bilhões e modelo moderno e flexível

PorErik Silva2 de fevereiro de 2026

A Rota da Celulose, novo corredor logístico de Mato Grosso do Sul, teve sua apresentação técnica formalizada nesta segunda-feira (2), marcando o início da operação de um contrato de concessão que prevê investimentos totais de R$ 10,1 bilhões ao longo de 30 anos. A nova modelagem rodoviária, operada pelo consórcio ‘Caminhos da Celulose’, abrange seis rodovias estratégicas para o escoamento da produção, incluindo trechos da MS-040, MS-338, MS-395, BR-262 e BR-267.

O montante bilionário está dividido entre R$ 6,9 bilhões destinados a despesas de capital (CapEx) e R$ 3,2 bilhões direcionados aos custos operacionais (OpEx). O projeto, elaborado pelo Governo do Estado por meio do Escritório de Parcerias Estratégicas (EPE), visa impulsionar o desenvolvimento regional e, sobretudo, aumentar a segurança dos usuários.

O governador Eduardo Riedel, presente na apresentação, destacou a relevância do acordo para a competitividade estadual, ressaltando a segurança jurídica e a participação do Estado no empreendimento. Riedel afirmou que o contrato representa uma mudança de conceito e de modelo:

“Este contrato é uma mudança de competividade e transformador. Uma nova modelagem com segurança jurídica, flexibilidade, em que o Estado por exemplo é sócio do projeto. Uma mudança de modelo e de conceito. Vai dar principalmente ao usuário a garantia que ele vai pagar e vai receber aquilo que foi contratado”.

O governador ainda enfatizou que esta “nova modelagem” é moderna e nasce com foco em tecnologia e responsabilidade socioambiental. Ele observou que a flexibilidade do acordo permite ajustes futuros conforme a demanda:

“Vai dar mais segurança aos usuários e o contrato não é estagnado, o que permite ao longo do processo avançar em investimentos em trechos específicos, em função do nível e aumento de tráfego”.

Tecnologia e segurança para 1,2 milhão de usuários

A concessão da Rota da Celulose nasce com um forte componente tecnológico voltado à fluidez e monitoramento viário. Entre as inovações previstas está a implementação do sistema “free flow”, um modelo de pedágio sem barreiras físicas. Este sistema é projetado para aumentar a fluidez do tráfego, reduzir a emissão de CO2 devido ao fluxo contínuo e aprimorar a segurança viária.

A conectividade e o monitoramento serão contínuos, com a instalação de 484 câmeras, o que significa uma câmera a cada 1,8 km, garantindo que as rodovias sejam 100% monitoradas. Além disso, haverá sensores de pista para avaliação de tráfego e um sistema de controle de velocidade.

Luiz Fernando De Donno, diretor-presidente da concessionária ‘Caminhos da Celulose’, detalhou as atividades, ressaltando o papel da infraestrutura para o corredor logístico. Ele destacou o impacto do projeto:

“O projeto vai trazer desenvolvimento não apenas para região Leste, para todo Estado e ao Brasil. Ele será capaz de fazer frente a este corredor logístico estratégico. Fornecendo a facilidade do escoamento da produção agrícola, motivando a competitividade do Estado e a integração regional. A concessão nasce na concepção que é preciso investir em obras, com duplicações, terceiras faixas, acostamentos, restauração do pavimento, assim como presença, cuidado, comunicação e tecnologia”.

A expectativa do Governo do Estado é beneficiar 1,2 milhão de pessoas com a garantia de mais segurança, além de serviços como pontos de parada e descanso, câmeras e ambulâncias à disposição.

Conforme a secretária especial do EPE, Eliane Detoni, o foco final é o atendimento ao cidadão e a qualidade do serviço. Ela pontuou os benefícios da parceria público-privada:

“O que no final nós buscamos é atender as pessoas, dando conforto, segurança aos usuários das nossas rodovias. Serviço de qualidade. O setor privado traz capital, eficiência, inovação e expertise, com melhorias na vida do cidadão, sendo um ciclo virtuoso para economia, geração de empregos”.

Obras estruturais e cronograma inicial

O contrato de concessão prevê um extenso cronograma de obras de melhorias em toda a malha rodoviária. As intervenções incluem 115 km de duplicações, 457 km de acostamentos, 245 km de terceiras faixas e 12 km de marginais. Também estão programados 38 km de contornos urbanos, 62 dispositivos em nível, 4 em desnível, 25 acessos, 22 passagens de fauna e 20 alargamentos de pontes, além de 3.780 m² de novas obras de artes especiais de engenharia. Um destaque é que a Rota da Celulose contará com 100% de acostamento em todo o sistema.

O consórcio detalhou o plano de ação para os primeiros 100 dias de trabalho, focado na manutenção emergencial e sinalização. O pacote de serviços iniciais inclui mais de 2,1 milhões de metros quadrados de roçada, 22,5 mil metros quadrados de sinalização horizontal, 490 metros quadrados de sinalização vertical e mais de 5 mil unidades de taxas refletivas. Também serão realizados 100 km de limpeza de drenagem, remoção de mais de 10 mil kg de lixo e entulho, e reparo emergencial de pavimento em mais de 150 km.

A ministra do Planejamento e Orçamento, Simone Tebet, reconheceu a importância da concessão, classificando-a como uma parceria de sucesso entre o Estado, a União e a iniciativa privada. Tebet enfatizou que a logística é vital para o desenvolvimento:

“Estamos diante de projetos bilionários na região e não há nada mais importante que a logística. Hoje precisamos de parcerias público-privada e um modelo regulador estratégico que permita flexibilidade. Ninguém faz nada sozinho e precisa promover um trabalho em parceria”.

A rota passa pela região central e leste do estado, contemplando os municípios de Água Clara, Anaurilândia, Bataguassu, Campo Grande, Nova Alvorada do Sul, Nova Andradina, Ribas do Rio Pardo, Santa Rita do Pardo e Três Lagoas.