Rosana Nunes em 15 de Outubro de 2026
Funcionários de mineradoras eram aliciados mediante pagamentos via Pix para facilitar o transporte de drogas em caminhões de minério de ferro, segundo as investigações da Operação Capolinea, deflagrada nesta quinta-feira (15) pela Força Integrada de Combate ao Crime Organizado de Mato Grosso do Sul (FICCO/MS). O grupo trazia entorpecentes da Bolívia, pela fronteira entre Corumbá e Puerto Quijarro, e fazia a distribuição em Mato Grosso do Sul, São Paulo, Goiás e Minas Gerais.
A ação mobiliza cerca de 100 policiais para cumprir 20 mandados de busca e apreensão, 14 de prisão preventiva e sete de prisão temporária. Também foram determinadas medidas de sequestro e bloqueio de bens que somam R$ 24 milhões. As ordens judiciais foram expedidas pela 1ª Vara Federal de Corumbá e são cumpridas nos quatro estados. A Justiça autorizou ainda a inclusão de três investigados que vivem no exterior na Difusão Vermelha da Interpol.
As investigações começaram após a análise de um celular apreendido com um dos principais operadores do esquema, que estava escondido na Bolívia. A partir das informações obtidas, os investigadores identificaram o suposto líder da organização, descrito como um traficante conhecido nacionalmente e que estaria no país vizinho há cerca de seis anos, após ser beneficiado por um habeas corpus concedido em um plantão do Tribunal de Justiça.
Conforme a investigação, o grupo aproveitava o fluxo de caminhões que transportam minério de ferro na região para movimentar drogas. Para facilitar a passagem das cargas, integrantes da organização teriam aliciado funcionários de mineradoras, incluindo supervisores e operadores de balança, com pagamentos via Pix para evitar a fiscalização dos veículos.
Os entorpecentes eram escondidos em diferentes compartimentos, como pneus e tanques de combustível de caminhões, além de cargas de grãos. Em agosto de 2025, uma remessa foi apreendida em Três Lagoas, com 35 quilos de cocaína e 12,5 quilos de maconha ocultos dentro de um pneu. Segundo a apuração, a organização teria negociado cerca de 24 toneladas de drogas durante o período investigado.
Vigilante suspeito de repassar informações
Entre os presos está um homem que trabalhava como vigilante na Delegacia da Polícia Federal em Corumbá e é enteado de um dos supostos líderes da organização. De acordo com os investigadores, ele repassava informações sobre a rotina da unidade, a presença de equipes policiais e a situação de pessoas presas. Também teria enviado fotografias de apreensões e documentos produzidos na delegacia.
Ainda conforme a investigação, o vigilante armazenava drogas em sua residência e participava do transporte de entorpecentes entre a Bolívia e o Brasil, inclusive da carga apreendida em Três Lagoas.
Os investigados devem responder por tráfico internacional de drogas e organização criminosa.
Divulgação/FICCO MS
Mandados são cumpridos em quatro Estados e foram expedidos pela Justiça Federal de CorumbáNome da operação
O nome Capolinea vem do italiano e significa “fim da linha”. A denominação faz referência tanto ao objetivo de interromper as atividades do principal investigado quanto ao encerramento do esquema que utilizava fretes de minério de ferro para o transporte de drogas.
A FICCO atua por meio da integração de instituições de segurança pública para fortalecer o combate às organizações criminosas. A unidade de Mato Grosso do Sul reúne Polícia Federal, Polícia Militar, Polícia Civil, Polícia Penal Estadual, Polícia Penal Federal, Secretaria Nacional de Políticas Penais e Guarda Civil Metropolitana de Campo Grande.
O modelo de força-tarefa é coordenado pela Polícia Federal e prevê cooperação técnica e operacional entre os órgãos participantes. Segundo as informações divulgadas, a estrutura está presente em todos os estados brasileiros e no Distrito Federal, com 41 unidades em atividade.
Com informações da assessoria de comunicação da FICCO/MS.



