Da Redação em 12 de Maio de 2026
Raquel Brunelli D´Avila
O Pantanal, considerado uma das maiores áreas úmidas contínuas do planeta, abriga cerca de 300 espécies de peixes distribuídas em aproximadamente 140 mil quilômetros quadrados. No Mato Grosso do Sul, espécies como dourado, pintado e pacu estão entre as mais conhecidas e impulsionam uma atividade que movimenta cerca de R$ 150 milhões por ano na região.
A pesca é atualmente a segunda maior atividade econômica do Pantanal e ocorre nas modalidades profissional artesanal, amadora esportiva e de subsistência, sendo também importante complemento alimentar para comunidades ribeirinhas.
Para garantir a sustentabilidade dos estoques pesqueiros, pesquisadores da Embrapa Pantanal destacam a importância de políticas públicas baseadas em estudos científicos e na participação da sociedade. Desde o fim da década de 1980, pesquisas desenvolvidas pela instituição subsidiam normas que regulamentam tamanhos mínimos de captura, períodos de pesca e estratégias de preservação das espécies.
Segundo o pesquisador da Embrapa Pantanal, Agostinho Catella, grande parte do ordenamento pesqueiro de Mato Grosso do Sul carrega o “DNA” das pesquisas realizadas pela unidade.
“Os trabalhos de biologia básica de espécies nativas, potencial de captura, estoques pesqueiros, uso de petrechos de pesca, entre outras pesquisas iniciadas no final da década de 1980, subsidiaram a política de gestão da pesca. O período de defeso é fruto dessas informações técnicas”, explicou.
Entre as ações de destaque está o Sistema de Controle da Pesca (SCPESCA/MS), desenvolvido pela Embrapa Pantanal em parceria com a Fundação Meio Ambiente Pantanal-MS e a Polícia Ambiental. O sistema reúne um dos maiores conjuntos contínuos de dados sobre pesca profissional artesanal e amadora da Bacia do Alto Paraguai.
Em 2025, o SCPESCA/MS completou 31 anos de funcionamento. Os relatórios anuais do sistema apresentam informações sobre a quantidade de pescado retirada dos rios da bacia, espécies mais capturadas, rios de origem, períodos de maior atividade pesqueira, duração das viagens de pescadores e número de profissionais cadastrados.
Os dados também auxiliaram na adoção de medidas de preservação, como o aumento do tamanho mínimo de captura do pacu e do jaú em temporadas recentes, buscando evitar a redução das populações dessas espécies.
Além disso, estudos desenvolvidos pela Embrapa contribuíram para a regulamentação do período de defeso, conhecido como piracema, e para pesquisas sobre espécies utilizadas como iscas-vivas pela pesca esportiva, especialmente a tuvira, cuja comercialização chegou a cerca de 17 milhões de unidades em 1997.
De acordo com Catella, os levantamentos de longo prazo permitem compreender melhor as tendências biológicas e socioeconômicas da pesca no Pantanal sul-mato-grossense.
“Com os dados coletados durante esses 31 anos de trabalho é possível relacionar a produção pesqueira, intensidade das cheias anuais e fatores externos que interferem na ictiofauna, auxiliando na formulação de políticas públicas”, afirmou.
Os registros do SCPESCA/MS apontam que, entre 2004 e 2018, a pesca profissional artesanal e a pesca amadora mantiveram estabilidade quantitativa na Bacia do Alto Paraguai, sem tendência de crescimento ou redução significativa.
No aspecto qualitativo, as espécies migradoras, conhecidas como espécies de piracema, representaram 92% das capturas da pesca profissional artesanal e 76% da pesca amadora no período analisado.
O pesquisador reforça que uma gestão eficiente depende de um plano de manejo pesqueiro com objetivos claros, participação de gestores e atores sociais, além da integração entre conhecimento científico e saberes tradicionais.
Memória da Pesca reúne documentos históricos
Como forma de ampliar o acesso às informações sobre o setor, a Embrapa Pantanal mantém desde 2005 o portal “Memória da Pesca do Pantanal”, que disponibiliza documentos sobre pesquisa, monitoramento, legislação, gestão e políticas públicas relacionadas à pesca no Pantanal e na Bacia do Alto Paraguai.
O acervo reúne materiais produzidos por instituições públicas, organizações não governamentais, pesquisadores e representantes dos setores pesqueiros, incluindo pescadores artesanais, trabalhadores da pesca de iscas-vivas e o turismo de pesca.
O portal é utilizado por pesquisadores, estudantes, jornalistas, empresários e órgãos públicos interessados em informações históricas e técnicas sobre a atividade pesqueira na região.
A página pode ser acessada em: Memória da Pesca do Pantanal.
Com informações da assessoria de imprensa da Embrapa Pantanal.
