Brasileiro morto na Bolívia teria negociado droga roubada de organização criminosa

Leonardo Cabral em 07 de Maio de 2026

Imagem enviada ao Diário Corumbaense

Novas informações apontam que o assassinato do brasileiro Elwis Arantes Tobal, executado a tiros em Puerto Quijarro, na fronteira com Corumbá, estaria relacionado ao roubo de mais de uma tonelada de cocaína pertencente ao narcotraficante uruguaio Sebastián Marset.

O crime ocorreu na noite de 25 de abril, na avenida Luis Salazar de la Vega, principal via comercial da cidade boliviana. Elwis estava acompanhado da namorada, brasileira, que ficou ferida durante o ataque e foi trazida para a Santa Casa de Corumbá.

Conforme o jornal El Deber, as investigações conduzidas pela Polícia Federal brasileira, em cooperação com autoridades paraguaias e bolivianas, apuraram que Elwis Arantes havia retornado recentemente de São Paulo após sair de Santa Cruz de la Sierra, na Bolívia. A suspeita é de que ele tenha transportado cocaína por via terrestre até a capital paulista, conseguindo burlar fiscalizações nos dois países.

Segundo os investigadores, a droga entregue pelo brasileiro teria sido identificada por integrantes da organização criminosa compradora como parte da carga roubada da residência de Sebastián Marset, preso em 13 de março e extraditado para os Estados Unidos, onde responde por acusações de lavagem de dinheiro.

A partir dessa constatação, o grupo teria considerado a negociação uma “traição”, já que Elwis teria vendido a droga por conta própria e obtido lucro considerado “ilegítimo”. A decisão, conforme a investigação, foi executá-lo. Pistoleiros em uma motocicleta passaram a segui-lo e efetuaram os disparos em Puerto Quijarro.

O Ministério Público boliviano e a Força Especial de Combate ao Narcotráfico (FELCN) confirmaram que Elwis possuía antecedentes por tráfico de drogas no Brasil e era procurado pelas autoridades brasileiras.

A morte dele é apontada como o segundo homicídio ligado ao suposto roubo da cocaína de Marset. O primeiro caso ocorreu em 11 de abril, quando José Ángel Castañeta, conhecido como “Baby Face”, foi executado a tiros em Santa Cruz de la Sierra, distante cerca de 650 km da fronteira com Corumbá.

De acordo com a polícia boliviana, “Baby Face” foi atraído para um encontro sob o pretexto de receber dinheiro e acabou morto por homens encapuzados que chegaram ao local em motocicletas.

Após o assassinato, o comandante da polícia de Santa Cruz, coronel David Gómez, confirmou o envolvimento de Castañeta no roubo da carga de cocaína de alta pureza.

Até o momento, seis brasileiros seguem presos no presídio de Palmasola, acusados de participação na execução de “Baby Face”. As autoridades apontam que eles integram um dos grupos armados mais perigosos da região de fronteira.

Com informações do jornal El Deber.