Rosana Nunes em 26 de Outubro de 2026

Divulgação/Corpo de Bombeiros Militar

O trabalho de prevenção e combate aos incêndios florestais segue durante todo o ano em Mato Grosso do Sul, com atuação do CBMMS (Corpo de Bombeiros Militar) no Pantanal, Cerrado e Mata Atlântica. Mesmo com uma temporada considerada dentro dos padrões de normalidade, o Estado mantém as ações preventivas diante das projeções climáticas para os próximos meses.

No Pantanal, foram registrados 166 eventos de fogo ao longo de 2026, que atingiram mais de 124,4 mil hectares. A atuação das equipes continua por meio da Operação Pantanal 2026, que mantém bases, equipes avançadas e militares especializados em campo.

Para o trimestre entre novembro deste ano e janeiro de 2027, o Cemaden (Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais) prevê a influência do El Niño, com possibilidade de temperaturas acima da média e episódios de calor intenso. O cenário exige atenção das equipes de prevenção, principalmente diante da possibilidade de períodos de estiagem intercalados com chuvas.

Segundo o subdiretor da DPA (Diretoria de Proteção Ambiental) do Corpo de Bombeiros, major Eduardo Teixeira, as condições observadas ao longo deste ano contribuíram para reduzir a ocorrência de grandes incêndios.

“A questão do impacto do El Niño para este ano, que provocou chuvas acima da média, mais espaçadas ao longo do ano, é bem parecido com o que nós tivemos em 2025. Pensando em incêndios florestais é uma situação que dá mais tranquilidade”, explicou.

Cabo Vitor Lima/ Corpo de Bombeiros Militar

Previsão aponta temperaturas acima da média e possibilidade de calor intenso nos próximos mesesApesar do cenário considerado favorável em 2026, a corporação já demonstra preocupação com as condições que podem ser encontradas no próximo ano. De acordo com o major, os níveis dos rios estão próximos das mínimas históricas, e a evolução das chuvas poderá influenciar o início da temporada de incêndios de 2027.

“Para o próximo ano, a gente já inicia com preocupação maior em relação ao nível dos rios, porque nós estamos muito próximo das mínimas históricas. Este cenário, dependendo de como acontecerem as chuvas, pode antecipar a temporada de incêndios em 2027. O efeito do El Niño que a gente percebe com maior clareza é justamente as temperaturas mais elevadas acima da média histórica”, afirmou.


Cenário climático

O El Niño interfere nos regimes de chuva, temperatura e ventos e pode alterar as condições que influenciam a ocorrência de fogo. Em Mato Grosso do Sul, a previsão para os próximos meses combina possibilidade de temperaturas acima da média com períodos de chuva irregular.

Dados do Cemtec (Centro de Monitoramento do Tempo e do Clima) indicam tendência de precipitação acima da média histórica no Estado, acompanhada por temperaturas elevadas e possibilidade de ondas de calor. O período também é marcado por forte aquecimento durante o dia, condição que favorece a formação de tempestades severas de curta duração, com possibilidade de chuvas intensas, vendavais, raios e granizo.

A meteorologista e coordenadora do Cemtec, Valesca Fernandes, ressalta que a relação entre o El Niño e a ocorrência de incêndios não é igual em todos os anos e depende das características de cada episódio climático.

“A análise integrada dos dados meteorológicos e do histórico climático demonstra que a ocorrência de incêndios florestais e o impacto do El Niño em Mato Grosso do Sul não seguem uma resposta linear ou padronizada, uma vez que cada evento do fenômeno possui características distintas”, explicou.

Para o próximo trimestre, segundo a meteorologista, a expectativa de maior volume de chuvas pode contribuir para a manutenção da umidade do solo e reduzir a probabilidade de fogo em grande parte do Estado. Ainda assim, as equipes permanecem mobilizadas para acompanhar as mudanças nas condições climáticas e responder a eventuais ocorrências.

Com informações da Agência de Notícias da Secom MS.