Leonardo Cabral em 28 de Agosto de 2026

Leonardo Cabral/Diário Corumbaense

Desde o início da Operação Jaguaretê Oeste, em junho deste ano, as ações de fiscalização coordenadas pelo Comando Militar do Oeste (CMO) já provocaram um prejuízo estimado em aproximadamente R$ 2 milhões ao crime organizado na região de fronteira entre Corumbá e a Bolívia. O balanço foi divulgado na quinta-feira (27), durante visita operacional promovida pelo Exército Brasileiro nas instalações da 18ª Brigada de Infantaria de Pantanal.

A operação tem como objetivo intensificar o controle da faixa de fronteira entre o Brasil e países vizinhos, como Bolívia, Paraguai e Argentina, por meio de patrulhamentos terrestres e fluviais, instalação de postos de bloqueio, fiscalização de veículos e embarcações, além do emprego de viaturas blindadas Guarani e do Sistema Integrado de Monitoramento de Fronteiras (SISFRON).

O montante corresponde às apreensões realizadas pelos militares que atuam na área da 18ª Brigada de Infantaria de Pantanal, especialmente no combate ao tráfico de drogas. Entre os entorpecentes retirados de circulação estão pasta base de cocaína, skunk (conhecida como “supermaconha”) e haxixe.

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Militares durante fiscalização a embarcações no rio ParaguaiO comandante da 18ª Brigada, general de brigada Rafael Novais da Conceição, e o chefe do Centro de Coordenação de Operações do Comando Militar do Oeste (CCOp/CMO), general de divisão Marcelo Zanon Harnisch, receberam jornalistas de Corumbá e Campo Grande para apresentar as ações desenvolvidas na região.

A programação começou no auditório da corporação, onde foram detalhadas as atividades realizadas pelo Exército em território nacional e, especialmente, no Pantanal sul-mato-grossense.

Fiscalização fluvial

Após a explanação, a comitiva seguiu para o Porto Geral de Corumbá, onde embarcou no navio “Ferryboat” para acompanhar de perto as abordagens realizadas no âmbito fluvial da Operação Jaguaretê.

As tropas utilizam embarcações para patrulhar rotas estratégicas em rios e canais da região. Durante a atividade, uma embarcação de pequeno porte, vinda da Bolívia, foi abordada por militares, que demonstraram os procedimentos de fiscalização adotados no Canal do Tamengo – importante via de ligação entre o país vizinho e o território brasileiro, além de corredor de acesso ao Oceano Atlântico.

Segundo o general Rafael Novais, a capacidade de atuação integrada entre os ambientes terrestre e fluvial é um dos diferenciais da Brigada.

“A capacidade de sair do fluvial, ir para o terrestre e atuar tanto próximo quanto distante de Corumbá é importante. Contamos ainda com novas Viaturas Nó de Acesso, equipamentos que ampliam a comunicação, o monitoramento e o comando e controle das forças de segurança que atuam na faixa de fronteira”, destacou. 

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Fiscalização no posto Lampião Aceso, na BR-262Fiscalização terrestre

As ações também se concentram nas rodovias e estradas vicinais, conhecidas como “cabriteiras”, frequentemente utilizadas pelo crime organizado para tentar burlar os pontos de fiscalização.

Um dos locais estratégicos é o posto de controle Lampião Aceso, instalado às margens da BR-262, principal ligação entre Corumbá e o restante do país. No local, veículos e ônibus são abordados e passageiros revistados, com apoio de cães farejadores treinados para identificar drogas e outros ilícitos.

O chefe do CCOp/CMO, general de divisão Marcelo Zanon, ressaltou que a Operação Jaguaretê Oeste possui características próprias, por ser conduzida exclusivamente pelo Exército Brasileiro.

“É uma operação singular, porque envolve apenas o Exército entre as Forças Armadas. Trabalhamos em conjunto com órgãos de segurança pública, e quanto maior for a fiscalização nesse corredor da BR-262, maiores serão os ganhos para a população no combate ao crime”, afirmou.

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Vistoria de bagagens de passageiros de ônibus que viajavam com destino a Campo GrandeZanon destacou ainda que a operação se estende desde a divisa do Mato Grosso com Rondônia, passando por Mato Grosso do Sul e alcançando áreas de fronteira no Paraná e em Santa Catarina. Em toda essa faixa, o prejuízo causado ao crime organizado já chega a aproximadamente R$ 65 milhões.

“Cerca de 12 toneladas de materiais ilícitos, principalmente drogas, foram apreendidas. Também houve apreensão de armas, munições, veículos e prisão de pessoas envolvidas com o narcotráfico”, informou.

Mais de 600 militares participam da operação, que conta ainda com o apoio de instituições parceiras. Para reforçar a fiscalização na fronteira, são empregadas diversas viaturas, embarcações e sistemas tecnológicos de monitoramento.

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Cão farejador dando apoio na revista aos ônibus e veículos que trafegam pela rodovia