Corumbá sedia XIII Festival Nossa Arte das APAEs com participação de cinco municípios de MS

Leonardo Cabral em 18 de Agosto de 2026

Anderson Gallo/Diário Corumbaense

Corumbá sediou nesta terça-feira (18) o XIII Festival Nossa Arte das APAEs – edição regional, que reúne delegações das APAEs de Miranda, Sidrolândia, Campo Grande, Dois Irmãos do Buriti e Corumbá. Realizado no Centro de Convenções do Pantanal, o festival integra uma programação estruturada em etapas regionais e estaduais e tem como propósito promover a inclusão, o protagonismo e a criatividade de pessoas com deficiência por meio de diferentes expressões artísticas.

O festival ocorre em diferentes regiões do Brasil e reúne alunos, familiares, profissionais e colaboradores. A programação contempla diferentes linguagens artísticas, entre elas dança popular brasileira, artes visuais – como artesanato, escultura, fotografia e pintura em tela -, teatro, música e literatura. O festival é dividido em etapas regional, estadual e nacional. Neste ano, a etapa estadual será realizada em Campo Grande, em novembro, enquanto a fase nacional está prevista para 2027, em Joinville (SC).

Os participantes classificados na etapa regional avançam para a fase estadual. Para Júlio César,  coordenador da 3ª Região, a importância do festival vai além da competição. “É algo imensurável. O festival oferece um palco onde a pessoa com deficiência pode transpor suas limitações e exibir seu talento e capacidade artística, algo que, muitas vezes, não encontra espaço em outros contextos”, afirmou.

O coordenador também destacou as novidades desta edição, como a inclusão da economia criativa, valorizando artesãos das APAEs e seus familiares, e a criação da categoria “40+”. A proposta é acompanhar as diferentes fases da vida dos participantes e manter o estímulo ao desenvolvimento artístico. 

Arte como instrumento de inclusão

Leonardo Cabral/ Diário Corumbaense

Maria, ao lado da flor que ensinou aluna a fazerMaria Sommerfeld, da APAE de Corumbá e cadeirante, participou pela primeira vez do festival e, em vez de se inscrever como aluna, decidiu atuar como instrutora na categoria artesanato. Ela ensinou a outras participantes a técnica de moldagem e montagem de arranjos utilizando EVA. O trabalho envolveu etapas como modelagem, pintura e montagem das peças, que resultaram em flores expostas durante o evento.

Para Maria, o festival representa uma oportunidade de mostrar as capacidades das pessoas com deficiência e reforçar a importância da inclusão. “O deficiente é visto como uma pessoa que fica em casa. Para quem tem o talento, é a oportunidade de mostrar que PCD pode fazer o que quiser e onde quiser. Reforça a inclusão, que tem que começar dentro de casa”, afirmou ao Diário Corumbaense.

Leonardo Cabral/ Diário Corumbaense

Ederson Bruno atuando no teatro junto aos colegasDe Campo Grande, o cadeirante Ederson Bruno participa da equipe de teatro e também destaca a importância da experiência. “Eu amo atuar, interpretar, descobri isso. É uma coisa muito boa. Quando subo no palco, é um momento em que posso mostrar o que sei fazer”, contou.

A mãe de Ederson, Maria Aparecida Faria Lopes, acompanha o filho nas atividades e comemora os avanços proporcionados pela participação na APAE. Segundo ela, o envolvimento com teatro, dança, música e bocha contribuiu para o desenvolvimento físico e para a convivência familiar e escolar.

“É maravilhoso a desenvoltura deles. Eles melhoraram bastante o convívio. Acho muito importante o trabalho que a escola faz com eles. Fico emocionada quando o vejo junto aos amigos no palco”, declarou.

Leonardo Cabral/ Diário Corumbaense

Juliano Garcia e a pintura em tela das araras que fez para participar do festivalOutro destaque é Juliano Garcia, de 37 anos, da APAE de Campo Grande. Aluno e funcionário da instituição há 20 anos, ele descobriu o talento para o desenho ainda na época da escola e participou da mostra com pinturas em tela.

Juliano afirma sentir orgulho ao ver suas obras expostas para os visitantes. “O mais importante é participar e valorizar o talento que eu tenho e desenvolvo. Sinto uma emoção tão grande quando vejo meu trabalho ali exposto”, relatou.

Assim, o Festival Nossa Arte das APAEs cumpre seu propósito de ampliar os espaços de expressão, reconhecimento e protagonismo das pessoas com deficiência, reafirmando a arte como instrumento de inclusão, valorização de talentos, fortalecimento da autoestima e transformação social.

Anderson Gallo/Diário Corumbaense

Programação contemplou diferentes linguagens artísticas