Polícia Federal confirma ausência de cocaína em 260 toneladas de madeira apreendidas em Corumbá

PorErik Silva23 de julho de 2026

O laudo pericial definitivo da Polícia Federal atestou que não havia cocaína nas 260 toneladas de madeira apreendidas na Operação Timber Shield em Corumbá.

Foram analisadas amostras retiradas da carga e novos materiais coletados no Porto Seco de Corumbá, onde os caminhões permaneceram retidos, e todos os testes deram negativo.

Durante a perícia foram empregados espectroscopia Raman, teste de Scott, cromatografia gasosa acoplada à espectrometria de massas e espectroscopia na região do infravermelho, técnicas consideradas de alta precisão para identificação de entorpecentes.

Além das três amostras iniciais, os peritos coletaram outras nove amostras da carga, cinco de serragem e quatro de fragmentos de madeira, em inspeção que contou com apoio de cães farejadores, militares do Exército, da Marinha e do Corpo de Bombeiros.

Nas respostas aos quesitos da investigação, a Polícia Federal concluiu que “os exames realizados nas amostras recebidas e coletadas resultaram negativos para a presença da substância cocaína ou de outras substâncias consideradas entorpecentes”.

Em outro trecho do laudo o perito afirma que “não se tratava de material suporte contendo substância entorpecente”.

O laudo também observa que a carga era composta por peças de aroeira, espécie de alta densidade e baixa capacidade de absorção de líquidos, o que segundo avaliação técnica torna o material pouco adequado para funcionar como matriz de absorção de soluções contendo cocaína.

A investigação teve início após a Receita Federal anunciar em 21 de junho a apreensão de aproximadamente 260 toneladas de madeira em Mato Grosso do Sul e Mato Grosso sob a suspeita de impregnação por cocaína líquida, e integrou uma operação desenvolvida com autoridades do Brasil, dos Estados Unidos e da Bolívia para apurar a possível nova modalidade de tráfico.

Testes preliminares realizados em Corumbá e documentos emitidos pela polícia boliviana já apontavam resultado negativo antes da conclusão da perícia criminal, e apesar disso os caminhões ficaram retidos por semanas no Porto Seco de Corumbá causando prejuízos financeiros às transportadoras responsáveis pela carga.