PorErik Silva
Um andor construído por artistas, moradores e ambientalistas transformou o tradicional Banho de São João em um ato público de defesa do Pantanal, na noite de segunda-feira (23), em Corumbá. Batizada de “Hidrovia Não!”, a estrutura percorreu as ladeiras históricas da cidade levando mensagens pela preservação do Rio Paraguai e contra a proposta de concessão da Hidrovia Paraná-Paraguai.
A intervenção reuniu participantes que escreveram mensagens de compromisso com a conservação do bioma e decoraram o andor com referências à fauna pantaneira. Durante o cortejo, também foram exibidas faixas e cartazes pedindo a suspensão do projeto de concessão da hidrovia, considerado pelos organizadores uma ameaça ao rio e às comunidades que dependem dele.

A mobilização ocorre em meio ao aumento das discussões sobre o empreendimento. Nas últimas semanas, o tema foi debatido em audiências públicas e encontros promovidos pela senadora Soraya Thronicke juntamente com outros parlamentares de Mato Grosso do Sul. Os eventos reuniram pesquisadores, representantes do poder público, organizações da sociedade civil e comunidades tradicionais para discutir os impactos da proposta.
Segundo os organizadores, a iniciativa buscou aproximar a manifestação ambiental da tradição religiosa de São João, reforçando que a preservação do Pantanal também faz parte da identidade cultural da região.
A construção do andor foi conduzida pelos irmãos gêmeos João Gabriel e Pedro Gil, nascidos neste mês, que coordenaram a oficina coletiva e participaram do banho simbólico da estrutura no Rio Paraguai.
“Construir este andor foi uma forma de demonstrar nosso amor pelo Rio Paraguai e pelo Pantanal. Queremos que as futuras gerações possam continuar vivendo essa tradição e encontrando um rio vivo e saudável”, afirmaram João Gabriel e Pedro Gil.
Moradora de Ladário e liderança comunitária, Luany destacou que a defesa ambiental também representa a proteção das comunidades locais e de suas tradições.

“Nossa fé também nos ensina a cuidar da criação. Defender o Rio Paraguai e o Pantanal é defender nossa história, nossa cultura e a vida das comunidades que dependem dessas águas. Não podemos permanecer em silêncio diante das ameaças ao nosso território”, declarou Luany.
A ação foi promovida pela Chalana Esperança, com apoio da ACAIA Pantanal e do FONASC. Conforme os organizadores, a proposta é fortalecer a mobilização popular em defesa do Rio Paraguai por meio da cultura, da espiritualidade e das manifestações tradicionais realizadas durante as festividades de São João.

