Da Redação em 27 de Maio de 2026
Eduardo Mello/IHP
No Dia Mundial das Lontras, celebrado nesta quarta-feira, 27 de maio, uma parceria entre o Instituto Homem Pantaneiro (IHP), de Corumbá (MS), e a Log Nature, empresa de Belo Horizonte (MG) especializada em tecnologias para pesquisa científica, promete fortalecer a conservação da ariranha no Pantanal. As instituições formalizaram o projeto “Monitoramento bioacústico de ariranhas (Pteronura brasiliensis) na Serra do Amolar, Pantanal, Brasil”.
Considerada a maior espécie de lontra do mundo, a ariranha é vista como uma espécie-chave para a preservação da biodiversidade pantaneira. Conhecida também como “onça d’água”, ela ocupa o topo da cadeia alimentar e sua presença indica a qualidade ambiental das águas e baías onde vive.
Atualmente, a espécie está classificada oficialmente como Em Perigo de extinção no Brasil. Entre as ameaças estão a caça predatória praticada no passado, além da perda de habitat, poluição e incêndios florestais. O cenário de risco levou a ariranha a ser apontada como prioridade de conservação durante debates da COP15, realizada neste ano em Campo Grande.
Com a nova parceria, o monitoramento da espécie passa a contar com tecnologia de bioacústica. O IHP, que já realiza expedições e utiliza armadilhas fotográficas para acompanhar grupos de ariranhas na Serra do Amolar, instalará agora gravadores de alta fidelidade nas “locas”, abrigos naturais utilizados pelos animais.
Segundo o coordenador de Biodiversidade do IHP, Wener Hugo Moreno, a tecnologia permitirá ampliar o conhecimento sobre o comportamento da espécie sem interferir em sua rotina.
“A bioacústica potencializa o desenvolvimento da pesquisa científica envolvendo a espécie e vai permitir compreendermos a dinâmica social desses animais sem interferir na rotina deles. Posteriormente, vamos conseguir decodificar vocalizações de alerta, interações territoriais e a comunicação íntima entre os membros dos grupos”, explicou.
Eduardo Mello/IHP
A ariranha é a maior espécie da subfamília das lontras em todo o mundoA Serra do Amolar foi escolhida para o estudo por concentrar áreas preservadas do Pantanal e abrigar importantes populações de ariranhas. A região é cortada pelo rio Paraguai e considerada um dos principais refúgios da espécie no país.
Além do avanço científico, os dados coletados serão compartilhados com o Plano de Ação Nacional para Conservação da Ariranha (PAN Ariranhas), coordenado pelo Cenap/ICMBio, do qual o IHP participa como membro ativo. As informações também deverão subsidiar políticas públicas voltadas à proteção hídrica e ao ordenamento do ecoturismo na bacia pantaneira.
A parceria entre o IHP e a Log Nature já havia sido iniciada em janeiro de 2025, quando as instituições desenvolveram ações de monitoramento da espécie por meio de armadilhas fotográficas. Os trabalhos ocorrem em meio à estimativa de redução de até 40% da distribuição das ariranhas no Brasil.
De acordo com o PAN Ariranha, a espécie Pteronura brasiliensis pertence à família Mustelidae, mesma de animais como furões, texugos e visons. No Brasil, a família também inclui espécies como a irara, a doninha-amazônica e diferentes tipos de furões.
Com informações da assessoria de comunicação do IHP.
