PorLucas Meirelles18 de maio de 2026
Instalado no Centro de Convenções de Corumbá, o local dedicado à comercialização do artesanato concentra trabalhos de artesãos de diversas regiões do continente, do estado de Mato Grosso do Sul e dos povos originários, com peças únicas que incorporam técnicas tradicionais e matérias-primas típicas de seus territórios, de acordo com informações da Fundação de Cultura de Mato Grosso do Sul.
Silvana Terena, responsável pelo espaço de comercialização do artesanato indígena de MS, ressaltou que o espaço foi conquistado para fortalecer a cultura por meio do artesanato e para promover protagonismo em eventos estaduais.
“Aqui é um espaço de protagonismo, de comercialização, de fortalecimento e o protagonismo do nosso povo dentro dos festivais de Mato Grosso do Sul. A produção está aqui nesse espaço, mais uma vez fortalecendo todo mundo aí do estado, das suas etnias do estado dentro do Festival da América do Sul de 2026”.
Eliane Torres atua como responsável pelo artesanato de Mato Grosso do Sul no Festival e relatou a amplitude da mostra estadual, que inclui peças de diferentes municípios e técnicas variadas, com objetivo explícito de valorizar, divulgar e comercializar o trabalho dos artesãos locais.
“Nós trouxemos artesanatos de vários municípios do estado, são vários artesãos com várias técnicas, têm trabalho de cerâmica, têm trabalho de cabaça, rendas e bordados, uma infinidade de trabalhos regionais. É a valorização do nosso artesanato, é divulgar, é comercializar, dar a oportunidade para esse artesão divulgar e comercializar o seu trabalho. No nosso estande, mostrar que aqui não é só um evento internacional, então é muito importante a valorização do nosso artesanato, a divulgação”.
No espaço dedicado a Ladário, a artesã Valéria Bajaroski expõe peças em amigurumi e relatou que a participação no Festival tem sido fundamental para manter a visibilidade do artesanato local, sobretudo em eventos que costumam deixar a cidade de fora.
“Este é o segundo ano que eu estou expondo no Festival América do Sul, por Ladário, mostrando o nosso trabalho aqui. E é muito importante que as pessoas conheçam e saibam que Ladário também tem artesanatos lindos, maravilhosos, que podem até inclusive ir para fora do país”.
Adriana Susan, crocheteira da Associação Pantanal Corumbá, descreveu a exposição de amigurumis e tapetes como oportunidade para afirmar a qualidade do trabalho manual diante da valorização do industrializado.
“Para nós é importante mostrar que aqui temos artesãos de qualidade, artesãos que apesar das dificuldades, de as pessoas ainda não terem o reconhecimento do artesão local, um evento como esse é a oportunidade que a gente tem de expor nosso trabalho, mostrar que o nosso trabalho manual, ponto a ponto na mão, como o meu, em relação à linha, ainda tem sim. E tem valor, tem criatividade, tem qualidade e eu acho que a população deveria olhar um pouquinho mais para nós do que dar tanta importância ao industrializado, ao maquinário”.
Conexão sul-americana
No Espaço Países, representantes da Colômbia trouxeram peças inspiradas em tradições indígenas e em elementos místicos que remetem a protetores da natureza, e consideraram a participação no Festival uma responsabilidade por representar o país e um reconhecimento ao trabalho de rua que desenvolvem por toda a América do Sul.
“A gente bota muita energia positiva para poder se repassar para nosso cliente. A gente trabalha muito, dá muito duro para estar aqui, é muito importante para nós como artista. Nós somos artista de rua, e ser convidado para estar aqui representa muito para nós. O MS é o estado mais cultural que a gente já participou, a gente viaja muito. Nós somos artistas que viajamos toda a América do Sul. E o MS é um dos únicos estados que nos abrem as portas dessa maneira. Então a gente fica muito feliz”.
Moda autoral em evidência
O Território dos Talentos, destinado à comercialização da moda autoral sul-mato-grossense, recebeu o estilista Luiz Gugliato, da marca Why Not By Gugliato, que avaliou como positiva a visibilidade que o espaço oferece às marcas locais e destacou o apoio de instituições e leis de incentivo para ampliar a presença da moda autoral do estado em outros centros do país.
“Falando em nome dos meus amigos estilistas, só tem que agradecer porque o espaço e da forma que se dá esse espaço aqui no Festival América do Sul é uma grande visibilidade. Isso só eleva a marcas sentem gratificadas pelo fato de estarem aqui. A moda autoral no estado agora eu acho que está bem interessante, com apoio do sistema S, muitas das vezes, do próprio governo, da Fundação de Cultura, através das leis de incentivo, a gente consegue fazer desfiles, fazer algumas coisas, para elevar o nome da moda autoral, e tem muitos estilistas, eu me incluo entre eles, levando o nome da moda autoral para outros estados, para São Paulo, Rio, Belo Horizonte, para Fortaleza, a moda autoral é crescente no estado”.
As informações sobre o espaço de comercialização do artesanato e a programação relacionada ao festival foram fornecidas pela Fundação de Cultura de Mato Grosso do Sul.
