Idaicy Solano-14/05/2026
Não existe risco de ocorrer uma pandemia associada ao hantavírus, esclarece o médico infectologista da UFMS (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul), Júlio Croda. Conforme o especialista, a variante responsável por infectar os passageiros do cruzeiro MV Hondiu, que partiu da Argentina, é o hantavírus andino, especificamente o chamado “clado 3”, que costuma circular na fronteira da Argentina com o Chile.
Além disso, Croda afirma não haver registros do hantavírus andino do Brasil. “As variantes que nós temos no Brasil de hantavirose não têm nenhum relato de transmissão humano-humano. A maioria das transmissões ocorrem através da exposição ao excremento de ratos silvestres.”
Especialista esclarece boatos envolvendo vacinas
Novos casos da doença registrados no Paraná e no Paraguai, ambos na divisa de Mato Grosso do Sul, deixaram a população em alerta e provocaram uma onda de desinformação nas redes sociais, incluindo até boatos de que a doença poderia ser um “efeito colateral” da vacina contra a covid-19.
Conforme a especialista, a imagem compartilhada nas redes sociais mostra, na verdade, uma “lista de acontecimentos adversos de especial interesse”, utilizada para monitoramento de segurança durante os estudos clínicos e a aplicação em larga escala do imunizante.
A relação reúne mais de mil eventos que os pesquisadores acompanham de forma preventiva, caso sejam registrados ao longo do processo, o que não significa que tenham sido causados pela vacina.
Principais sintomas da doença
Conforme a SES (Secretaria Estadual de Saúde), os sintomas iniciais não são específicos, mas podem incluir febre, dores musculares, dor na região dorsolombar, dor abdominal, cansaço intenso, forte dor de cabeça e alterações gastrointestinais, como náuseas, vômitos e diarreia. Esse primeiro período pode durar de um a seis dias, chegando, em alguns casos, a duas semanas antes de apresentar melhora temporária.
Outro sinal de alerta envolve o aparecimento de tosse seca, sintoma que pode indicar a evolução para uma forma mais grave da doença. Nesses casos, pode haver comprometimento cardiopulmonar, ocorrendo aumento da frequência cardíaca, dificuldade para respirar e redução da oxigenação no sangue.
Em alguns casos, o paciente pode apresentar comprometimento renal, geralmente leve ou moderado. Essa é a fase com maior risco de óbitos, por conta da rápida evolução e da gravidade das complicações.
Tratamento da hantavirose
Ainda não existem medicamentos antivirais específicos para o tratamento das infecções por hantavírus. Por isso, todo paciente com suspeita de síndrome cardiopulmonar por hantavírus deve ser encaminhado com urgência para a UTI (Unidade de Terapia Intensiva).
Medidas de prevenção
O Ministério da Saúde orienta que, para evitar o contágio, é necessário adotar uma série de medidas sanitárias, incluindo:
- Evitar o acúmulo de lixo, entulhos, restos de alimentos e materiais que possam servir de abrigo e alimento para roedores;
- Manter alimentos, rações e grãos armazenados em recipientes fechados e à prova de roedores;
- Vedar frestas e aberturas em residências, depósitos e galpões;
- Realizar limpeza de ambientes fechados e possivelmente contaminados apenas após ventilação mínima de 30 minutos;
- Não varrer locais com sinais de roedores secos, evitando formação de aerossóis;
- Utilizar pano úmido com detergente ou solução desinfetante à base de hipoclorito durante a limpeza;
- Utilizar equipamentos de proteção individual, especialmente máscaras PFF3, luvas, avental e óculos de proteção em situações de risco ocupacional ou durante investigações ambientais.
