PorErik Silva31 de março de 2026
Uma criança de 13 anos morreu após dar entrada em estado grave no pronto-socorro de Corumbá nesta segunda-feira (30), com suspeita de dengue hemorrágica.
A vítima, de nacionalidade boliviana, morava em Puerto Quijarro, cidade do país vizinho e chegou à unidade com quadro crítico, apresentando febre alta, dores no corpo e sinais de hemorragia. Mesmo com atendimento de urgência, não resistiu. A causa da morte ainda não foi confirmada oficialmente pela Secretaria Municipal de Saúde.
Informações divulgadas pela imprensa da Bolívia indicam que a jovem já teria recebido diagnóstico de dengue em Puerto Quijarro, município que faz fronteira com Corumbá.
O registro do óbito ocorre em um momento de avanço simultâneo de arboviroses em Mato Grosso do Sul. O Estado já soma 3.058 casos prováveis de chikungunya e seis mortes confirmadas. A incidência estadual alcançou 110,9 casos por 100 mil habitantes, índice mais de dez vezes superior à média nacional.
Atualmente, 11 municípios sul-mato-grossenses estão em nível considerado epidêmico para chikungunya, com incidência acima de 300 casos por 100 mil habitantes. Corumbá integra essa lista, com 399 casos prováveis e incidência de 414,5.
A situação mais crítica se concentra na Reserva Indígena de Dourados, onde foram registrados 1.168 casos prováveis em uma população de pouco mais de 15 mil pessoas. Entre as mortes confirmadas no Estado, cinco ocorreram na reserva, incluindo dois bebês. O sexto óbito foi registrado em Bonito.
Dados recentes apontam aceleração da transmissão. Apenas na primeira quinzena de março, foram contabilizados 966 casos prováveis de chikungunya, com mais de 200 pessoas internadas. Em Dourados, a taxa de ocupação hospitalar chegou a 97% durante a semana, mantendo-se em 89% no último boletim, com 385 dos 431 leitos ocupados.
Segundo o infectologista Júlio Croda, a tendência é de agravamento no curto prazo. “Para Chikv, podemos falar em epidemia para algumas cidades”, afirmou. Ele acrescenta que o pico de transmissão deve seguir até o fim de abril e início de maio. “Ainda teremos um mês com aumento do número de casos, hospitalizações e óbitos”.
Baixa vacinação amplia risco
Paralelamente ao aumento de casos, a Secretaria Municipal de Saúde alerta para a baixa procura pela vacina contra a dengue entre crianças e adolescentes de 10 a 14 anos.
Apesar da disponibilidade do imunizante, apenas cerca de 43% do público-alvo recebeu a vacina em Corumbá. Desde o início da campanha, em 2024, foram aplicadas 9.030 doses, mas somente 3.249 pessoas completaram o esquema vacinal de duas aplicações.
O município também registra 614 notificações de dengue, com 40 casos confirmados, o que reforça o cenário de circulação ativa do vírus.
A vacina utilizada no público infantil é produzida pelo laboratório Takeda e exige duas doses com intervalo de três meses para garantir proteção. A Secretaria de Saúde reforça que a adesão incompleta reduz a eficácia da imunização.
Além disso, profissionais da Atenção Primária passaram a ter acesso a uma vacina de dose única desenvolvida pelo Instituto Butantan. O imunizante, no entanto, não é indicado para idosos acima de 60 anos, gestantes, lactantes, pacientes em quimioterapia ou pessoas vivendo com HIV.
As salas de vacinação seguem em funcionamento nas unidades de saúde do município, com atendimento distribuído em diferentes bairros. A orientação é para que pais e responsáveis procurem os postos e regularizem a imunização, diante do aumento de casos na região.
