PorErik Silva13 de fevereiro de 2026
Produção inédita do F-39 Gripen na Embraer em Gavião Peixoto impulsiona setor de defesa e posiciona o país como polo exportador de jatos de combate.
O primeiro caça supersônico F-39 Gripen, montado em território brasileiro, tem previsão de conclusão até o fim de março de 2026. Este marco representa um ponto de virada histórico para a Força Aérea Brasileira e a indústria nacional, pois sinaliza a estreia da produção local de um jato de combate supersônico no país e em toda a América Latina, conforme informações divulgadas.
A aeronave faz parte do programa de reequipamento da FAB, simbolizando um significativo salto tecnológico para o setor de defesa.
A montagem do F-39 Gripen, a designação brasileira do caça JAS 39E desenvolvido pela empresa sueca Saab, ocorre em parceria com a Embraer, especificamente na unidade de Gavião Peixoto, no interior de São Paulo.
Esta colaboração é parte integrante do Projeto FX-2, um contrato assinado em 2014 que prevê a aquisição de 36 aeronaves pela Força Aérea Brasileira. Mais da metade desses caças será montada em solo nacional, uma realização inédita para um avião de combate supersônico na região, combinando alta manobrabilidade, sensores avançados, guerra eletrônica moderna e capacidade de operar com armamentos de longo alcance.
Caça Supersônico
O chefe de marketing da Saab, Mikael Franzén, confirmou que a primeira aeronave montada no Brasil estará pronta no primeiro trimestre de 2026, com o prazo se estendendo até o final de março. Inicialmente, a expectativa era concluir o avião ainda em 2025. No entanto, o cronograma foi revisado devido a atrasos em pagamentos governamentais e gargalos na cadeia global de suprimentos, uma realidade enfrentada por diversos programas militares ao redor do mundo após a pandemia.

Apesar do ajuste, o cronograma permanece dentro do considerado aceitável para projetos de tamanha complexidade.
A linha de montagem instalada na Embraer não se limita a atender às necessidades do Brasil, sendo considerada estratégica pela Saab para expandir a capacidade global de produção do Gripen. Com as fábricas do Brasil e da Suécia operando simultaneamente, a fabricante consegue entregar até 36 caças por ano, um volume equivalente a todo o pedido brasileiro. Este ritmo abre espaço para novos contratos internacionais, com a Saab avaliando a criação de uma terceira linha de produção diante de encomendas ou negociações com países como Colômbia, que adquiriu 17 unidades, Tailândia, que comprou quatro aeronaves com opção para mais oito, e Ucrânia.
Dentro do planejamento atual, a produção brasileira tende a concentrar os caças destinados à Colômbia, e há a possibilidade de divisão da fabricação entre Brasil e Suécia para as aeronaves ucranianas. Esse cenário transforma o Brasil em um polo exportador de aeronaves de combate, algo impensável há alguns anos, ampliando sua relevância geopolítica e industrial.
A Força Aérea Brasileira se prepara para iniciar em breve o recebimento dos Gripens montados nacionalmente. O primeiro caça brasileiro entrou na fase de montagem final em 2024, e há indicações de que esta aeronave seja a de matrícula 4109, ainda não incorporada ao 1º Grupo de Defesa Aérea – Esquadrão Jaguar, sediado em Anápolis, Goiás. Até o momento, a FAB recebeu 11 das 36 aeronaves contratadas, com mais dois F-39E, de matrículas 4110 e 4111, chegando em 2025.

A produção local vai além da montagem final, integrando um amplo pacote de transferência de tecnologia previsto no Projeto FX-2, que incluiu o treinamento de engenheiros e técnicos brasileiros na Suécia, a implantação de linhas de produção de componentes no país, e a realização de ensaios em solo e processos de certificação em território nacional.
O Gripen brasileiro incorpora sistemas desenvolvidos no país, como o Head-Up Display e o Wide Area Display, fabricados pela AEL Sistemas, de Porto Alegre, elevando o nível tecnológico da indústria de defesa nacional.
No fim de 2025, o programa alcançou importantes marcos operacionais. A Operação Samaúma certificou o reabastecimento em voo entre o F-39 e o KC-390, enquanto o exercício BVR-X, realizado na Base Aérea de Natal, marcou os primeiros disparos reais do míssil de longo alcance MBDA Meteor a partir do Gripen brasileiro.
Um outro exercício, na Base Aérea de Santa Cruz, no Rio de Janeiro, deve permitir que o 1º Grupo de Defesa Aérea assuma o alerta de defesa aérea com o novo caça a partir de Goiás. Dessa forma, o Brasil integra um seleto grupo de países capazes de operar, manter e produzir caças supersônicos avançados.
