Campo Grande News em 22 de Setembro de 2026

Divulgação/Receita Federal

Operação Perfume de Mulher mira uma organização criminosa que teria movimentado mais de R$ 300 milhões em um esquema de importação clandestina e distribuição de perfumes estrangeiros, além de evasão de divisas e lavagem de capitais.

Deflagrada nesta terça-feira (22), a ação da Receita Federal, MPF (Ministério Público Federal) e MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul) cumpre 16 mandados de busca e apreensão em Mato Grosso do Sul, São Paulo e Pernambuco. 

A operação foi autorizada pela 3ª Vara Federal de Campo Grande, que também determinou a apreensão de bens vinculados aos investigados até o limite de R$ 100 milhões, incluindo criptoativos. Também foi determinada a prisão da responsável, segundo as investigações, por coordenar as atividades do grupo.

As apurações apontam que a organização seria responsável pela entrada clandestina de perfumes estrangeiros, principalmente da linha árabe, provenientes do Paraguai. Os produtos ingressavam no país pela região de fronteira de Ponta Porã e eram levados para depósitos clandestinos.

Inicialmente, os estoques ficavam em Campo Grande. Depois, a distribuição teria sido ampliada para centros em São Paulo e Pernambuco, de onde os perfumes eram enviados para diferentes estados brasileiros.

A comercialização ocorria principalmente por redes sociais, marketplaces e plataformas de comércio eletrônico. Influenciadores também teriam sido utilizados para divulgar os produtos. Em um dos sites atribuídos ao grupo, a empresa se apresentava como “a maior referência em perfumaria árabe do Brasil” e contava com diversas revendas no país.

Segundo as investigações, os envolvidos utilizavam notas fiscais inidôneas, declarações de conteúdo falsas e diferentes pessoas jurídicas para dar aparência de legalidade às operações.

Também foram identificados indícios de lavagem de dinheiro por meio de empresas de fachada, interpostas pessoas, ocultação de patrimônio e movimentações financeiras incompatíveis com a capacidade econômica dos investigados. As apurações apontaram ainda o uso de criptoativos em negociações com fornecedores no exterior.

Divulgação/Receita Federal

Perfumes importados apreendidos durante a operação na CapitalEntre 2024 e 2026, mais de 20 apreensões foram relacionadas ao grupo. Em outubro de 2025, uma operação resultou na retenção de aproximadamente R$ 10 milhões em perfumes importados irregularmente.

A Receita Federal aponta que o comércio ilegal de perfumes importados provoca prejuízos à arrecadação tributária, à livre concorrência e à economia formal.

A operação reúne 50 Auditores-Fiscais e Analistas Tributários da Receita Federal, 50 integrantes do Ministério Público Federal e 30 integrantes do Ministério Público de Mato Grosso do Sul.

Segundo os órgãos, esta é a primeira operação deflagrada em Mato Grosso do Sul com participação simultânea da Receita Federal, GAECO-MPF e GAECO-MPE/MS.