Rosana Nunes com Secom MS em 27 de Outubro de 2026

Divulgação/Corpo de Bombeiros Militar

O Corpo de Bombeiros Militar de Mato Grosso do Sul está ampliando a preparação dos militares para identificar possíveis situações de violência contra mulheres durante os atendimentos de emergência. A iniciativa inclui capacitação baseada em um POP (Procedimento Operacional Padrão), elaborado para orientar as equipes desde o primeiro contato com a vítima até o encaminhamento à rede de proteção.

A formação é realizada com apoio da Escolagov (Fundação Escola de Governo de Mato Grosso do Sul) e considera situações em que os bombeiros são os primeiros profissionais a chegar ao local. Ocorrências inicialmente comunicadas como acidentes, quedas ou outros tipos de emergência podem esconder episódios de violência que não são relatados de imediato.

O protocolo orienta os militares a observar o ambiente, avaliar possíveis riscos e identificar sinais que possam indicar uma situação de violência. A abordagem deve priorizar a segurança, a privacidade e o acolhimento da vítima, evitando perguntas desnecessárias ou que possam provocar constrangimento e sofrimento adicional.

As orientações abrangem diferentes etapas do atendimento, desde o recebimento da chamada pelo telefone 193 até o registro da ocorrência e a transferência do cuidado. Também estão previstas medidas para preservar eventuais vestígios, sem prejudicar o socorro, além da solicitação de apoio policial quando houver necessidade.

Divulgação/Corpo de Bombeiros Militar

Diretor de Ensino, Instrução, Pesquisa e Educação do CBMMS, coronel Waldemir Moreira JuniorDe acordo com o diretor de Ensino, Instrução, Pesquisa e Educação (DEIPE) do CBMMS, coronel Waldemir Moreira Junior, o treinamento busca transformar o protocolo em procedimentos aplicáveis à rotina dos militares. “O POP orienta as equipes a reconhecer esses indícios, avaliar os riscos e prestar um atendimento técnico, seguro e humanizado, integrado à rede de proteção”, afirma.

A capacitação também reforça a importância da articulação com os serviços de saúde, segurança pública, assistência social e atendimento especializado à mulher. Nos casos envolvendo meninas, as equipes devem utilizar linguagem adequada à idade, observar as necessidades específicas de proteção e acionar o Conselho Tutelar quando necessário.

Percepção ampliada

Para o sargento Michel Angelo Tingo Melin, do CBMMS, o treinamento contribuiu para ampliar a percepção dos profissionais durante as ocorrências. Integrante do Serviço Motossocorro, ele destaca que os bombeiros frequentemente têm o primeiro contato com a vítima.

“Para mim, o mais importante foi aprender a olhar para essas situações com mais atenção e sensibilidade. Como atuo no Serviço Motossocorro, muitas vezes somos os primeiros bombeiros a chegar ao local de uma ocorrência e a ter contato com a vítima”, relata.

Segundo o militar, a ausência de uma denúncia ou relato direto não significa que não exista uma situação de violência. Por isso, a observação das circunstâncias e uma abordagem respeitosa podem ajudar na identificação de possíveis riscos e na adoção das medidas adequadas.

“Acredito que nosso trabalho não é apenas chegar rápido e prestar o atendimento, mas também tratar cada pessoa com humanidade, respeito e dignidade, especialmente em um momento de tanta vulnerabilidade”, afirma.

O treinamento faz parte das ações de formação continuada do CBMMS e está disponível na plataforma da Escolagov, em formato EAD autoinstrucional. A modalidade permite que militares da Capital e do interior tenham acesso ao conteúdo e atualizem os procedimentos relacionados ao atendimento de mulheres em situação de violência.

Mais informações sobre o curso para os militares do Corpo de Bombeiros: https://www.cursos.ms.gov.br/EscolaGov/Home/DetalhesEvento/4277