Rosana Nunes

Divulgação/FUPHAN

Um painel de azulejos atribuído ao artista Angelo Taccari*, produzido por volta de 1965 e integrado à arquitetura do antigo Banco Financial, passa por uma nova intervenção de conservação e restauração em Corumbá. A obra está localizada no interior de uma loja de eletrodomésticos, na Rua Delamare, nas proximidades da Rua Frei Mariano, e recebe acompanhamento e orientação técnica da Fundação de Desenvolvimento Urbano e Patrimônio Histórico (FUPHAN).

Os serviços são custeados integralmente pela empresa responsável pelo imóvel. A ação representa uma parceria entre a iniciativa privada e o poder público para preservar um elemento considerado relevante para a memória artística, arquitetônica e cultural da cidade.

A atribuição do painel a Angelo Taccari é baseada em registros biográficos do artista que mencionam a produção de obras para unidades do Banco Financial em Corumbá, Cuiabá e Campo Grande. A composição reúne elementos relacionados à história e à economia regional, como a pecuária, mineração, ferrovia, navegação, indústria e comércio, além de referências ao Pantanal e ao Rio Paraguai.

O conjunto artístico também registra a relação de Corumbá com atividades econômicas e meios de transporte que tiveram papel no desenvolvimento do município. Mesmo inserido atualmente em um espaço comercial, o painel permanece como um testemunho de um período em que a arte passou a ocupar espaços integrados à arquitetura.

Divulgação/FUPHAN

Perla Larsen conduz a intervenção, com técnicas de conservação voltadas à recuperação das peças e à preservação das características originais do mural“Este mural, realizado por volta de 1965, integra um período em que artistas e arquitetos levavam a arte para dentro da arquitetura, contribuindo para dar identidade aos espaços e aproximar a arte da vida cotidiana. A pesquisa sobre a obra encontrou referências que fundamentam sua atribuição ao artista Angelo Taccari. Restaurar este painel é cuidar de cada peça com respeito e sensibilidade, para que a memória que ele guarda continue viva e possa ser compartilhada pelas próximas gerações”, afirmou a arquiteta restauradora Perla Larsen, responsável pela intervenção.

Recuperação após duas décadas

Ao longo dos anos, o painel apresentou problemas provocados principalmente pelo desprendimento de peças cerâmicas, além de perdas e fissuras que comprometeram trechos da composição. A situação levou à necessidade de uma nova intervenção, duas décadas depois da restauração realizada em 2006.

Na época, o trabalho foi coordenado pela artista restauradora Leonor Lage, quando o imóvel era ocupado pelo Banco HSBC. Agora, a intervenção está novamente sob responsabilidade de uma profissional especializada em restauração, com acompanhamento técnico da FUPHAN.

Entre os procedimentos previstos estão a avaliação e a retirada controlada de peças que apresentam problemas de aderência, além da identificação e numeração dos elementos cerâmicos. A recomposição das áreas danificadas será feita com peças originais recuperadas e materiais selecionados para o preenchimento das lacunas, de acordo com a avaliação técnica.

Também estão previstos o tratamento das áreas de perda, o rejuntamento e a recomposição visual dos trechos comprometidos, utilizando registros fotográficos do painel como referência. As técnicas e os materiais empregados são avaliados com orientação da FUPHAN, buscando preservar as características da obra sem comprometer sua integridade.

O processo inclui ainda o registro fotográfico e documental de todas as etapas, além da elaboração de um relatório final sobre a intervenção e as condições de conservação do painel.

Divulgação/FUPHAN

Com elementos ligados à pecuária, mineração, ferrovia e navegação, painel preserva referências da história e da identidade regionalPara a diretora-presidente da FUPHAN, Lauzie Xavier, a iniciativa demonstra a importância da participação dos proprietários e responsáveis por imóveis na preservação de bens que fazem parte da história da cidade.

“Essa restauração é um importante exemplo de parceria entre a iniciativa privada e o poder público na preservação do nosso patrimônio cultural. O painel tem grande relevância artística e histórica, representando parte da memória e da identidade de Corumbá. A empresa está executando a obra, enquanto a FUPHAN acompanha os trabalhos e presta orientações técnicas à restauradora responsável, contribuindo para preservar esse importante legado para as futuras gerações”, destacou.

A intervenção busca não apenas recuperar as peças cerâmicas danificadas, mas preservar um conjunto artístico que ajuda a contar parte da história de Corumbá. A conservação do painel também contribui para manter referências da paisagem cultural e da produção artística vinculada à arquitetura da cidade na década de 1960.

*Angelo Taccari foi um escultor, ceramista e pintor ítalo-brasileiro. Nasceu em 1924, estudou escultura e cerâmica na Academia de Belas Artes de Roma. Radicou-se em São Paulo a partir de 1952. Saiba mais aqui.

Com informações da FUPHAN.