PorErik Silva21 de outubro de 2026

Encontrado sem vida na manhã desta terça-feira (20) em uma estrada de terra na Colônia Portera Ortiz, zona norte de Pedro Juan Caballero, cidade paraguaia vizinha a Ponta Porã, Marcelo Juan Ortiz Moura, de 26 anos, teve um dos olhos fechado com cola e morreu após receber diversos golpes na cabeça e no rosto. O laudo pericial do médico legista do Ministério Público do Paraguai, Lucas Riveros, descartou perfurações por disparos de arma de fogo ou faca e apontou que o óbito ocorreu na madrugada de hoje, evidenciando que a vítima foi submetida a cerca de 24 horas de tortura antes de o corpo ser desovado na via rural.

O espancamento fatal antecedeu o sequestro registrado por volta das 4h de segunda-feira (19), quando dez homens encapuzados, usando roupas táticas pretas e armados com fuzis, cercaram o imóvel onde o rapaz estava, na Rua Valois Rivarola, no Bairro Obrero. Imagens de câmeras de segurança registraram o momento em que o grupo desembarcou de duas caminhonetes SUV da marca Toyota, sendo uma branca e outra cinza, e invadiu a garagem após arrombar o portão, retirando o morador à força para colocá-lo em um dos veículos.

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Durante a mesma invasão, a companheira de Marcelo, a brasileira Carolina Benites Arce, de 27 anos, foi arrastada para a frente da residência, derrubada na calçada por um dos criminosos e executada com cinco tiros de fuzil calibre 7,62, tendo o rosto dilacerado por um dos disparos. Para o promotor de Justiça Emilio Álvarez, responsável pelas investigações, a dinâmica capturada pelas câmeras indica que o casal inteiro era alvo da ação criminosa.

Paralelamente à localização do cadáver, policiais paraguaias encontraram uma caminhonete Toyota Fortuner totalmente destruída pelo fogo na Colônia Potrero Sur, na zona rural entre Zanja Pytã e Pedro Juan Caballero. O utilitário, que apresentava danos na carroceria, portas, pneus e no interior, possui características semelhantes às dos dois veículos empregados no ataque.

De nacionalidade paraguaia, o homem morto portava também documentos brasileiros em nome de Marcelo Ruan Lazaro Ortiz e era procurado desde 2023 pela Justiça de Mato Grosso do Sul por tráfico de drogas. Segundo publicações do jornal ABC Color, ele era apontado como chefe de pistoleiros e suspeito de diversos homicídios praticados em Ponta Porã.

As autoridades paraguaias conduzem as investigações sob duas linhas principais de apuração, que envolvem acerto de contas ligado ao narcotráfico e motivação passional. Há indícios de que Carolina mantinha um relacionamento anterior com outro traficante da região de fronteira e estaria jurada de morte pelo ex-companheiro, embora a motivação real ainda precise de comprovação definitiva.