PorErik Silva19 de outubro de 2026
O Rio Paraguai pode atingir 91 centímetros em Ladário até 11 de novembro, segundo projeção do Serviço Geológico do Brasil. A redução prevista ocorre em uma bacia que continua sob seca hidrológica extrema, apesar de ter registrado volume de chuva superior à média histórica entre março e setembro deste ano.
Na medição de 14 de outubro, o nível em Ladário era de 1,27 metro, 81 centímetros abaixo da mediana histórica de 2,08 metros para a data. Mesmo com essa diferença, a marca ainda estava dentro da faixa considerada normal para o período do ano.
LEIA TAMBÉM
- Nível do Rio Paraguai cai 20 centímetros em duas semanas e deve reduzir mais 34 centímetros
- Rio Paraguai mantém níveis normais, mas previsão indica nova queda em MS
Para a estação de Ladário, as projeções feitas pelo SGB indicavam queda para 1,02 metro em 28 de outubro, antes de chegar aos 91 centímetros estimados para novembro. Em Porto Murtinho, o rio marcava 2,83 metros, com previsão de recuo para 2,57 metros até 11 de novembro.
O volume de chuva acumulado na bacia entre março e setembro ficou 23% acima da média calculada a partir dos registros de 1998 a 2025. Ainda assim, o déficit hídrico acumulado ao longo de sete anos mantém a região em condição crítica, conforme o Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais.
No boletim referente a setembro, divulgado em outubro, o Cemaden classificou como extrema a seca hidrológica nas áreas que contribuem para as estações de Ladário e Porto Murtinho. A mesma classificação havia sido registrada em agosto.
O quadro atual é menos grave que o observado entre fevereiro de 2024 e julho de 2025, quando essas áreas permaneceram em seca excepcional, categoria mais severa do monitoramento. Naquele período, a estiagem provocou efeitos sobre a navegação, o abastecimento e os ecossistemas aquáticos.
As condições também variam entre as sub-bacias. Em setembro, as regiões de contribuição dos rios Manso e Jauru apresentavam situações entre normalidade e seca moderada, enquanto o Cemaden apontou possibilidade de intensificação da seca na área que abastece a usina hidrelétrica de Jauru, em Mato Grosso, durante outubro.
A previsão de vazões abaixo da média em novembro mantém a navegação na hidrovia do Paraguai sob acompanhamento. A rota é utilizada para transportar cargas entre Mato Grosso do Sul e países da Bacia do Prata, especialmente minérios, e a redução do nível pode limitar a circulação de embarcações em determinados trechos, conforme as condições do canal.



