Da Redação em 18 de Outubro de 2026

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Um medicamento deixado sobre a mesa, um produto de limpeza ao alcance das crianças ou uma substância química armazenada de forma inadequada pode transformar uma situação comum dentro de casa em uma emergência. Diante de uma possível intoxicação, além da prevenção, a forma como os adultos reagem pode ser determinante para evitar o agravamento do quadro.

Dados da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), com base em registros do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan), apontam que o Brasil registrou 177.766 casos de intoxicação aguda em 2022. Desse total, 32,6% envolveram crianças e adolescentes de até 19 anos, o equivalente a cerca de 58 mil ocorrências.

Entre esse público, os medicamentos aparecem como principal causa, representando 63,8% dos registros. Na sequência estão os produtos de limpeza e outros agentes químicos, responsáveis por 7,2% dos casos.

O problema também se reflete na rede hospitalar. De acordo com levantamento da Associação Brasileira de Medicina de Emergência (Abramede), o Sistema Único de Saúde (SUS) contabilizou 45.511 internações por envenenamento entre 2015 e 2024. Desse total, 7.204 envolveram crianças de 1 a 4 anos.

Para Denis Corrêa, da CoreHelp, instituição sul-mato-grossense voltada à capacitação de profissionais da saúde para atendimentos de urgência e emergência, um dos principais riscos após uma intoxicação está na tentativa de solucionar o problema com medidas caseiras.

“Quando uma criança ingere um medicamento ou produto químico, muitos adultos tentam provocar o vômito ou oferecer leite e água. Mas essas atitudes podem agravar a intoxicação. O mais importante é buscar orientação especializada imediatamente, mesmo que a criança não apresente sintomas”, orienta.

Provocar o vômito, por exemplo, pode ser especialmente perigoso quando a substância ingerida é corrosiva. Nesse caso, o retorno do produto pelo esôfago pode provocar novas lesões e até atingir os pulmões. Também não é recomendado oferecer leite, alimentos ou qualquer mistura caseira sem orientação de profissionais especializados.

Os sintomas dependem do tipo de substância e da quantidade ingerida. Entre os sinais que podem indicar intoxicação estão vômitos, dor abdominal, sonolência, salivação excessiva, queimaduras na boca, dificuldade para respirar e convulsões. Em determinadas situações, os sintomas podem surgir somente algum tempo depois da exposição.

O que fazer em caso de intoxicação

A primeira providência é afastar a criança do produto e procurar orientação especializada. Sempre que possível, os responsáveis devem identificar a substância envolvida, informar a quantidade que pode ter sido ingerida e manter a embalagem ou o rótulo disponível para que seja apresentado à equipe de atendimento.

O Disque-Intoxicação oferece orientação gratuita em todo o país pelo telefone 0800 722 6001. Em Mato Grosso do Sul, o Centro de Informação e Assistência Toxicológica (CEATOX/CIVITOX-MS) atende 24 horas pelos números (67) 3386-8655 e (67) 3386-4335.

Em casos graves, principalmente quando há dificuldade para respirar, convulsões ou perda de consciência, o Samu deve ser acionado imediatamente pelo 192.

Prevenção começa dentro de casa

A prevenção é uma das principais formas de reduzir o risco de intoxicações. Medicamentos, produtos de limpeza e outras substâncias potencialmente perigosas devem ser mantidos fora do alcance das crianças, preferencialmente em locais altos e trancados.

Outra recomendação é manter os produtos sempre nas embalagens originais. Substâncias químicas nunca devem ser colocadas em garrafas de refrigerante, recipientes de alimentos ou outras embalagens que possam confundir as crianças.

Também é importante evitar a compra e o armazenamento de produtos clandestinos, de fabricação caseira ou de origem desconhecida. A orientação é optar por itens regularizados, com identificação do fabricante e informações sobre a composição e os cuidados de uso no rótulo.

“A curiosidade faz parte da infância, mas cabe aos adultos garantir um ambiente seguro. Além da prevenção rigorosa, conhecer os primeiros socorros é fundamental para reconhecer uma emergência e agir corretamente até a chegada do atendimento especializado”, reforça Denis Corrêa.

Com informações da assessoria de imprensa.