Leonardo Cabral em 16 de Outubro de 2026
Reprodução/Jornal El Deber
Um dos três brasileiros presos na Bolívia acusados de envolvimento no roubo a uma joalheria em Santa Cruz de la Sierra, distante cerca de 650 km da fronteira com Corumbá (MS), é apontado por um relatório de inteligência como integrante da estrutura do Comando Vermelho. Trata-se de Sandro Roberto da Silva Júnior, conhecido como “Júnior Matemático”, que, segundo as investigações, seria responsável por movimentações financeiras próximas de R$ 16 milhões por mês ligadas à facção criminosa.
Além dele, foram presos Edson Lins Porsincula e Marcio Reis dos Santos, conhecido como “Marcinho”. De acordo com a Força Especial de Luta Contra o Crime (Felcc), os três teriam entrado na Bolívia em períodos e por rotas diferentes.
Além de responsável pela contabilidade financeira do Comando Vermelho, o relatório de inteligência também relaciona “Júnior Matemático” a planos de assaltos a carros-fortes no Brasil e aponta que ele teria se passado por policial civil.
Os registros migratórios indicam que Sandro entrou na Bolívia pelo aeroporto internacional de Viru Viru, em Santa Cruz, em 29 de maio deste ano.
Edson Lins Porsincula, que possui antecedentes por roubo à mão armada e tráfico de drogas, também teria entrado pelo aeroporto de Viru Viru, em 30 de setembro, menos de duas semanas antes do assalto à joalheria.
Já Marcio Reis dos Santos possui mandado de recaptura no Brasil por crimes de roubo e tráfico de drogas. Conforme os registros migratórios, ele entrou na Bolívia por San Ignacio em 29 de maio de 2025.
Polícia recupera parte das joias
As investigações avançaram a partir da análise de imagens de câmeras de segurança e do rastreamento das motocicletas utilizadas pelos criminosos durante a fuga.
Nas buscas realizadas na quarta-feira (14), nas regiões de Warnes e Satélite Norte, os policiais localizaram roupas pretas, capacetes, uma motocicleta, um relógio que seria produto do roubo e uma arma que teria sido usada para intimidar as vítimas.
O assalto aconteceu na noite de domingo (11), quando três homens armados invadiram a joalheria Imperio, localizada em um centro comercial na Avenida Busch, na altura do terceiro anel viário de Santa Cruz de la Sierra.
Durante a ação, funcionários e clientes foram ameaçados. Quatro pessoas conseguiram deixar o estabelecimento, entre elas duas menores de idade, enquanto outras quatro permaneceram retidas pelos assaltantes.
O proprietário da joalheria, Daniel Sebben Almeida, reconheceu alguns dos itens recuperados nas imagens divulgadas pela polícia. No entanto, ele aguarda a conclusão do inventário para confirmar exatamente quais peças foram localizadas.
Quarto suspeito continua foragido
Enquanto três brasileiros estão presos, as forças de segurança continuam procurando o quarto integrante do grupo. A suspeita é de que ele tenha conseguido escapar com a maior parte das joias levadas durante o assalto.
O Ministro do Governo, Marco Antonio Oviedo, afirmou que parte das peças pode ter como destino o Brasil e anunciou uma articulação com a Polícia Federal para tentar recuperá-las.
O ministro chegou a Santa Cruz em meio ao aumento da violência na região e defendeu o reforço das ações de segurança. O governo boliviano atribui parte dos episódios recentes à atuação de organizações criminosas internacionais e também investiga supostos esquemas de proteção a criminosos que teriam funcionado durante a antiga gestão da Procuradoria-Geral.
Com informações do jornal El Deber.



