PorErik Silva29 de setembro de 2026

Quase 2 milhões de hectares do Pantanal passam a contar com monitoramento por inteligência artificial para detectar fumaça e antecipar o combate a incêndios. Segundo o Instituto Homem Pantaneiro, a expansão de 20% do Sistema Pantera alcançou o Território Indígena Guató, na Ilha Ínsua, e aumentou a cobertura em uma faixa da fronteira com a Bolívia.

Operada a partir da sede do IHP em Corumbá, a tecnologia utiliza câmeras instaladas em torres para acompanhar áreas remotas durante 24 horas por dia. As imagens são analisadas por um algoritmo que identifica sinais de fumaça, calcula a localização da ocorrência e envia alertas para as equipes responsáveis pelo combate.

De acordo com o instituto, a rapidez é uma das principais diferenças em relação ao acompanhamento feito apenas por satélite. Enquanto um foco de calor pode levar entre seis e oito horas para aparecer nos sistemas orbitais, as câmeras conseguem identificar a fumaça nos primeiros momentos do incêndio.

A plataforma também utiliza informações sobre temperatura, umidade e velocidade do vento para projetar a direção em que as chamas podem avançar. Esses dados são repassados às brigadas e demais instituições que atuam em campo.

Território Guató entra na área monitorada

A chegada do sistema à Ilha Ínsua acrescenta a Aldeia Guató Uberaba à rede de monitoramento. Conforme o IHP, a comunidade é isolada e representa a última aldeia da etnia Guató ainda estabelecida na planície pantaneira.

A implantação foi feita em parceria com o Governo de Mato Grosso do Sul, Exército Brasileiro e a própria comunidade indígena. Durante uma semana de trabalhos em setembro, participaram ainda integrantes da Brigada Uberaba Guató, ligada ao Prevfogo/Ibama, e da Brigada Alto Pantanal, mantida pelo instituto.

Uma nova câmera foi instalada para ampliar a vigilância na região da fronteira brasileira com a Bolívia. Outra frente modernizou uma antena já existente e reforçou o alcance sobre o Parque Nacional do Pantanal Matogrossense, no município de Poconé, em Mato Grosso.

Antes das mudanças, o Sistema Pantera cobria aproximadamente 1,6 milhão de hectares, principalmente na região da Serra do Amolar e em áreas de Mato Grosso do Sul, Mato Grosso e Bolívia. Com as novas estruturas, a área acompanhada se aproxima de 2 milhões de hectares.

Desenvolvido pela startup Um Grau e Meio, o sistema opera regularmente desde 2022. O IHP mantém a central de monitoramento em Corumbá e compartilha os alertas com instituições responsáveis pela prevenção e combate ao fogo.

Entre os órgãos que recebem as informações estão Prevfogo/Ibama, Corpos de Bombeiros de Mato Grosso do Sul e Mato Grosso e, agora, a Brigada Indígena Uberaba. A rede também inclui equipes da Armada Boliviana e a organização Nativa, que atua no país vizinho.

A ampliação faz parte de uma iniciativa internacional voltada à prevenção de incêndios florestais. Segundo o IHP, o trabalho reúne mais de 100 instituições dos Estados Unidos, Peru, Brasil e Bolívia.