Campo Grande News em 25 de Setembro de 2026
Arquivo/Campo Grande News
A Corregedoria-Geral da Polícia Civil de Mato Grosso do Sul oficializou o afastamento compulsório do delegado Hoffman D’Ávila Cândido e Sousa e sete investigadores presos preventivamente pela Justiça. As portarias foram publicadas no Diário Oficial do Estado desta sexta-feira (25) e têm efeito retroativo a quinta-feira (24), data em que os mandados foram cumpridos.
Os servidores foram alvo da Operação Infiltrados, deflagrada pelo Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado) em conjunto com a própria Corregedoria da Polícia Civil. As investigações apuram a atuação de uma organização criminosa que atuava no desvio e comercialização de drogas apreendidas em delegacias e depósitos oficiais.
Com as portarias assinadas pelo corregedor-geral, Clever José Fante Esteves, todos os investigados têm as carteiras funcionais, armas de fogo e bens do patrimônio público recolhidos. Além disso, a publicação determina a suspensão imediata de senhas e logins de acesso aos sistemas de dados da instituição policial (como o Sigo e Infoseg) e o cancelamento de férias programadas enquanto perdurar a prisão.
Além do delegado Hoffman, foram afastados os investigadores Douglas Tobias lotado no GOI (Grupo de Operações e Investigações); Luiz Carlos de Souza lotado na Denar (Delegacia Especializada de Repressão ao Narcotráfico), Marcos André Santos Chaves lotado na 1ª Deam (Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher), Nelson Ricardo Barros de Oliveira lotado na Defurv (Delegacia Especializada de Repressão a Roubos e Furtos de Veículos).
Neverson Vieira de Araújo lotado na DHPP (Delegacia Especializada de Repressão a Homicídios e de Proteção à Pessoa), Nilton César Sales dos Santos lotado na Derf (Delegacia Especializada de Repressão a Roubos e Furtos) e Roberto Palmeira da Silva lotado na Depac (Delegacia de Pronto Atendimento Comunitário) Centro.
Nesta desta sexta-feira (25), os policiais presos passam por audiência de custódia.
A operação
A ação cumpriu 64 ordens judiciais, sendo 24 de prisão preventiva, duas de prisão temporária e 38 de busca e apreensão em Campo Grande, Dourados e Terenos. As investigações começaram no final de 2025 após suspeitas de que parte expressiva das cargas de entorpecentes interceptadas em operações acabava “desaparecendo” dos depósitos ou sendo substituída antes da incineração oficial.
Durante as buscas, as equipes estiveram na casa do delegado Hoffman, no entanto, ele não foi encontrado. No final da tarde de quinta-feira, o servidor se apresentou na Corregedoria da Polícia Civil.
A Sejusp (Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública) informou que todos os servidores afastados responderão a processos administrativos disciplinares na Corregedoria, que podem culminar na demissão do serviço público, independentemente do andamento das ações penais na Justiça.
Em nota, a pasta também afirmou que os servidores já eram monitorados e investigados internamente, inclusive o ex-policial Paulo Augusto Torres Galvão Florindo, demitido em agosto após prisão por envolvimento em esquema de desvio de “muambas”. Conhecido como “Paraíba”, ele acabou absolvido pela Justiça Federal, mas foi alvo da operação do Gaeco.


