Lethycia Anjos, Claudemir Candido – Midiamax

Em meio à investigação que levou à prisão da então presidente da Santa Casa de Campo Grande, Alir Terra Lima, a nova gestão da instituição comentou nesta quarta-feira (23) a operação que atingiu a cúpula do hospital. Indicado para assumir a presidência, Heitor Freire classificou o momento como de “perplexidade”, enquanto o novo superintendente, Luiz Kanamura, disse não acompanhar as investigações diretamente.

A Operação Antidotum foi deflagrada pelo MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul) em 11 de setembro. A ação cumpriu mandados de prisão e de busca e apreensão contra integrantes e ex-integrantes da direção da Santa Casa, além de um empresário. As investigações apuram suspeitas de fraudes e desvios de recursos envolvendo contratos da instituição.

‘Perplexidade muito grande’

Com 33 anos de vínculo com a Santa Casa e indicado pela diretoria para disputar a presidência, Heitor Freire afirmou que recebeu a notícia sobre as prisões e a operação com surpresa. Apesar do impacto causado pela operação, Freire acredita que a instituição precisa concentrar esforços na superação do momento atual.

“Com todas as dificuldades que nós já passamos na Santa Casa, uma situação como essa nunca aconteceu. Mas nós temos fé, confiança, força e vamos resolver”, disse.

Freire também classificou a situação como emergencial e afirmou que a nova gestão deverá avaliar o cenário antes de definir eventuais mudanças.

“Neste momento, isso é uma emergência, uma situação que se apresentou, e nós estamos aqui para contê-la”, declarou.

Kanamura diz que não acompanha investigação

Nomeado para a superintendência hospitalar, Luiz Alberto Hiroki Kanamura adotou uma postura de distanciamento em relação à investigação. Com 35 anos de atuação na Santa Casa, o cirurgião cardiovascular afirmou que não acompanhou a operação e que o assunto não está sob sua responsabilidade.

“Não tenho acompanhado. Não faz parte da minha alçada, não tenho acompanhado”, afirmou.

O superintendente disse que as informações que possui são aquelas divulgadas pela imprensa e afirmou que prefere não se envolver diretamente com o caso.

“Faço questão de não me envolver com isso porque é uma situação complicada, um momento delicado que a Santa Casa está passando. Não participei de nada, não sei dizer”, declarou.

Kanamura disse ainda esperar que as suspeitas sejam esclarecidas de maneira transparente.

Estado fala em reaproximação

Mauricio Simões
Mauricio Simões, secretário de Estado de Saúde. (Mateus Andrade, Midiamax)

Também presente na cerimônia, o secretário de Estado de Saúde, Maurício Simões, afirmou que o momento pode representar uma oportunidade para a reaproximação entre a Santa Casa e o Poder Público.

Segundo ele, não há intenção do Estado de intervir na gestão da instituição. A expectativa é de que a nova administração reveja a relação com os entes públicos e retome as negociações.

“É preciso que nós encontremos a linha de negociação, porque, depois que toda a nossa negociação foi levada para o Judiciário, nós só nos distanciamos”, afirmou.

Simões disse esperar que a nova gestão consiga reconstruir esse diálogo e destacou a necessidade de participação dos funcionários da Santa Casa.

“Com a sua presença, eu tenho certeza de que nós vamos nos reaproximar muito rapidamente e apontar para todos que estão aqui […] o caminho que devemos seguir”, declarou.

A nova gestão chega à Santa Casa com Heitor Freire indicado para a presidência e Luiz Alberto Hiroki Kanamura à frente da superintendência hospitalar. A proposta apresentada pelos novos dirigentes é reorganizar a instituição, fortalecer a transparência, recuperar a credibilidade e redefinir a relação com o Poder Público. A mudança ocorre após o afastamento da antiga presidente, Alir Terra Lima, presa durante a Operação Antidotum, que investiga suspeitas de fraudes e desvios de recursos na instituição.

Operação Antidotum

Segundo o MPMS, a Operação Antidotum investiga possíveis fraudes e desvios de recursos em contratos da Santa Casa. Entre os alvos, estavam a então presidente Alir Terra Lima, integrantes e ex-integrantes da diretoria, uma coordenadora do Serviço de Arquivamento Médico e Estatística e um empresário.

As investigações apontaram possíveis irregularidades em um contrato para digitalização de prontuários. O acordo previa R$ 1,8 milhão por ano durante três anos, totalizando R$ 5,4 milhões. Conforme o MPMS, somente no primeiro ano, o suposto desvio teria chegado a R$ 1,4 milhão.

O MPMS também apontou possíveis irregularidades em contratos do Santa Casa Saúde com empresas ligadas ao mesmo grupo. Segundo a investigação, os pagamentos chegaram a R$ 9,6 milhões em 2025, com prejuízo estimado em pelo menos R$ 3,5 milhões. O total do eventual prejuízo ainda é investigado.