Linha fina: Nova concessão busca recuperar a ferrovia entre Mato Grosso do Sul e São Paulo; leilão deve ficar para o primeiro semestre de 2027
A disputa pela nova concessão da Malha Oeste começa a atrair grandes empresas antes mesmo da publicação do edital. Rumo, MRS Logística, Ferrovia Centro-Atlântica (FCA) e o grupo J&F, dos irmãos Joesley e Wesley Batista, manifestaram interesse no projeto, segundo informações repassadas pelo superintendente de Concessão da Infraestrutura da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), Marcelo Cardoso Fonseca, ao Correio do Estado. A expectativa informada pelo dirigente é publicar o edital até dezembro e realizar o leilão no primeiro semestre de 2027. Interesse no projeto ainda não significa participação confirmada na licitação.
A concessão em estudo abrange aproximadamente 1,6 mil quilômetros entre Corumbá (MS) e Mairinque (SP). A ferrovia é vista como uma rota para escoar minério, celulose e outras cargas produzidas em Mato Grosso do Sul. Conforme a reportagem do Correio do Estado, o interesse do grupo J&F está ligado, entre outros trechos, à ligação ferroviária de cerca de 45 quilômetros entre as minas de Corumbá e Porto Esperança, importante para o transporte de minério até o Rio Paraguai.
Quanto custará a recuperação
O valor de R$ 35 bilhões divulgado para reativar a Malha Oeste é uma estimativa inicial, não o valor de um edital já publicado. Na página oficial do projeto, a ANTT apresenta três alternativas de concessão: a mais extensa prevê R$ 29,1 bilhões em investimentos e cerca de 1.645 quilômetros de ferrovia. A agência também prevê até R$ 3,6 bilhões em aportes federais, sujeitos às condições do trecho escolhido para a concessão.
O projeto ainda precisa concluir etapas antes da licitação. A ANTT aprovou os estudos e o plano de outorga em maio, mas informa que a proposta está sob análise do Tribunal de Contas da União. O edital deverá definir o trecho concedido, as obrigações de recuperação e os investimentos exigidos do vencedor.
A antiga concessão, operada pela Rumo, chegou ao fim em junho. Um acordo temporário mantém a empresa responsável pela conservação da estrutura até o fim do ano, enquanto a União prepara a próxima concessão. A recuperação dos trilhos é decisiva para que a Malha Oeste volte a transportar cargas regularmente e cumpra o papel logístico projetado para Mato Grosso do Sul.



