Estiagem e fogo provocado criam cenário para incêndios de grandes proporções, reforça Corpo de Bombeiros

Leonardo Cabral em 29 de Julho de 2026

Divulgação/Corpo de Bombeiros Militar

O 3º Grupamento de Bombeiros Militar registrou oito ocorrências de incêndio em vegetação nas últimas 24 horas em Corumbá e Ladário. Os casos, atendidos entre as 14h20 de terça-feira (28) e a madrugada desta quarta-feira (29), apresentam indícios de origem em ação humana, como queima de lixo, limpeza de terrenos ou atos criminosos.

Durante o período de maior incidência, por volta das 18h de terça-feira, três incêndios ocorreram praticamente de forma simultânea na região da rua Paraná, no bairro Popular Nova. A situação exigiu o deslocamento de viaturas para pontos distintos, aumentando o tempo de resposta para os atendimentos.

Também foram registrados incêndios na avenida Santa Cruz, no bairro Maria Leite, às 18h20; na rua Goiabeira, no bairro Alta Floresta, em Ladário, às 18h40; e na rua República da Bolívia, no Jatobazinho, em Corumbá, por volta das 4h desta quarta-feira.

Oito ocorrências registradas na área urbana em 24 horasAlém do deslocamento entre as ocorrências, cada atendimento exigiu o reabastecimento das viaturas nos hidrantes mais próximos. O procedimento é necessário para garantir água suficiente para o combate aos demais focos e contribuiu para tornar a operação mais complexa.

Embora a queima de folhas, lixo e vegetação para limpeza de terrenos ainda seja vista por algumas pessoas como um hábito comum, a prática pode provocar incêndios de grandes proporções e resultar em responsabilização administrativa, civil e criminal.

Durante o atendimento das oito ocorrências, os bombeiros constataram indícios de que os incêndios foram provocados.

O cenário preocupa especialmente durante o período de estiagem, quando a baixa umidade relativa do ar e os ventos fortes favorecem a rápida propagação das chamas, ameaçando residências, estabelecimentos comerciais e a rede elétrica, além de prejudicar a saúde da população devido à fumaça.

De acordo com o 1º sargento do 3º GBM, André Marti, a população deve redobrar os cuidados nos próximos meses. “Infelizmente, nos meses de agosto e setembro temos um período mais crítico com relação a esse tipo de ocorrência que se enquadra como crime ambiental. Por isso, atear fogo em terrenos baldios, lixo ou vegetação pode resultar em prisão em flagrante, além das demais sanções legais, caso o fato seja comprovado”, explicou ao Diário Corumbaense.

Orientações e denúncias

O Corpo de Bombeiros Militar orienta que a população não utilize fogo para realizar a limpeza de terrenos ou para eliminar resíduos. A recomendação é evitar o acúmulo de lixo, folhas secas e outros materiais combustíveis próximos a terrenos baldios e denunciar casos de queimadas criminosas.

A prática pode resultar em responsabilização com base na Lei de Crimes Ambientais (Lei nº 9.605/1998), dependendo das circunstâncias e dos danos provocados. Entre as condutas previstas estão provocar incêndio em mata ou floresta e causar poluição que resulte ou possa resultar em danos à saúde humana ou à flora.

Além de eventual responsabilização criminal, a pessoa pode ser autuada pelos órgãos ambientais e receber multa administrativa, cujo valor varia de acordo com a extensão do dano e o tipo de vegetação atingida (de R$ 5.000,00 a R$ 50 milhões). Também pode haver responsabilização civil, com obrigação de reparar os danos ambientais provocados pelo incêndio.

O Corpo de Bombeiros Militar pode ser acionado pelo 193 e a Polícia Militar Ambiental pelo número funcional/WhatsApp (67) 99266-4052.