Ladário: comandante do Choque diz que “Chacal” morreu após ignorar ordem e apontar arma

Campo Grande News em 27 de Julho de 2026

Victória Costacurta

O alvo da ação policial que terminou com a morte de Joilson Souza de Oliveira, de 49 anos, conhecido como “Chacal”, era o filho dele, que havia rompido uma tornozeleira eletrônica e conseguiu fugir. Joilson foi atingido durante ocorrência na noite de domingo (26), em Ladário.

Operação Jovem Guerreiro foi desencadeada depois do assassinato do soldado da Polícia Militar, Marcelo Pimenta, em Corumbá, na noite do dia 30 de junho.

Além de Joilson, morreram durante ações realizadas no âmbito da operação, Everton da Silva Viana, de 41 anos, Rubens Zilio Neto, de 35 anos, Luis David Justiniano Flores, de 29 anos; Alixberto Vasquez Corrales, de 32 anos e Waldiney Junior de Souza Alfonso, de 29 anos. Já Marlon de Souza Silva, de 42 anos, morreu em outra ocorrência, de tráfico de drogas, em abordagem do Batalhão de Choque, na BR-262. 

Durante coletiva de imprensa realizada nesta segunda-feira (27), em Campo Grande, o comandante do Batalhão de Choque, major Cleyton da Silva Santos, afirmou que as equipes haviam recebido informações sobre pessoas suspeitas de envolvimento com tráfico de drogas, roubos e furtos em Corumbá e Ladário.

Segundo o comandante, a equipe foi até a residência depois de receber informações de que o filho de Joilson havia rompido a tornozeleira eletrônica havia cerca de cinco dias e estaria envolvido em roubos e furtos na região. “A equipe, sabendo dessas informações, deslocou-se até uma residência”, afirmou.

De acordo com o major, quando os policiais chegaram ao endereço, um homem com as características do procurado fugiu em direção a um terreno baldio. A equipe seguiu o suspeito, passou pelo terreno e pulou um muro para acessar a residência onde ele supostamente morava.

No imóvel, os policiais encontraram Joilson. Conforme a versão apresentada pelo comandante, ele estava com um revólver calibre .38, não teria obedecido à ordem policial e teria apontado a arma em direção à equipe.

“Ao entrar no imóvel, a equipe encontrou um indivíduo posteriormente identificado como Joilson, conhecido pelo apelido de Chacal. Ele era pai do homem que havia rompido a tornozeleira eletrônica”, relatou.

Ainda segundo o major, os policiais atiraram para interromper o que classificou como uma agressão contra a equipe. Joilson foi atingido e morreu.

Durante buscas na residência, conforme o Batalhão de Choque, foram apreendidos mais de um quilo de maconha, papelotes de cocaína, um revólver calibre .38 e a tornozeleira eletrônica rompida pelo filho de Joilson.

O filho não foi preso. Segundo o comandante, ele é suspeito de envolvimento em roubos e furtos praticados recentemente em Ladário e Corumbá e continua sendo procurado. Conforme a Polícia Militar, o homem também responde por crimes de roubo, tráfico de drogas, receptação e furto.

Reprodução/Redes Sociais

Joilson Souza de Oliveira morto na noite de domingo, em LadárioDurante a coletiva, o major também apresentou o histórico criminal atribuído a Joilson. Segundo ele, havia registros de três ocorrências de tráfico de drogas, seis furtos qualificados, duas receptações de veículos, quatro portes de arma, duas ocorrências de disparo de arma de fogo em via pública, três tentativas de homicídio, três ameaças, duas lesões corporais e uma ocorrência de violência doméstica.

O comandante afirmou ainda que Joilson era investigado por envolvimento no envio de veículos roubados para a Bolívia.

Jovem Guerreiro

A operação foi iniciada pelo Comando-Geral da Polícia Militar depois da morte do soldado Marcelo Pimenta, atingido por um disparo de fuzil durante uma ocorrência em Corumbá.

Segundo o major, a mobilização conta com equipes especializadas, entre elas o Bope (Batalhão de Operações Policiais Especiais) e o Batalhão de Choque. Ele afirmou que as ações não estão restritas à busca pelos envolvidos na morte do soldado.

“Não estamos na região exclusivamente para deter ou prender os criminosos envolvidos na ocorrência que resultou na morte do policial. Estamos na região, sobretudo, para combater a criminalidade de maneira ampla”, declarou.

De acordo com o comandante, a operação também mira o tráfico de drogas e armas, além de roubos e furtos de veículos levados para a Bolívia.

O major também afirmou que a orientação das equipes é realizar prisões, mas que os policiais reagem quando identificam uma ameaça.

“O policial militar não vai para uma ocorrência com o intuito de ceifar a vida de alguém. A nossa função primária é fazer com que o criminoso seja levado à Justiça”, afirmou.

Segundo dados apresentados pelo comandante, o Batalhão de Choque prendeu mais de 275 pessoas em flagrante em 2026, recuperou 70 veículos e apreendeu 138 armas de fogo. A unidade também cumpriu 127 mandados de prisão e apreendeu mais de 11 toneladas de drogas no período em Mato Grosso do Sul.