Por PH em 10/07/2026
Proposta restringe convocações a jogadores vinculados a clubes do país e estende a exigência aos integrantes da comissão técnica.
Apesar de ter contrato renovado com a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) até 2030, o futuro do técnico italiano Carlo Ancelotti pode estar ‘à perigo’. Ao menos é o que pretende um projeto de lei apresentado nesta quarta-feira (8/7), na Câmara dos Deputados. A iniciativa também quer evitar a presença na seleção de jogadores que atuem em clubes do exterior.
A proposta foi apresentada pelo deputado Luiz Carlos Hauly (Podemos-PR). O projeto restringe as convocações para a seleção brasileira a jogadores vinculados a clubes do país e estende a exigência aos integrantes da comissão técnica. A proposta também veta patrocínios de casas de apostas, incluindo as bets, a clubes e outras entidades esportivas.
Pelo texto, as seleções brasileiras masculina, feminina e de base só poderão ser compostas por atletas brasileiros registrados em clubes sediados no Brasil e que disputem competições oficiais organizadas no país.
A restrição alcança ainda a comissão técnica: treinador, auxiliares, preparadores físicos e demais integrantes deverão ter nacionalidade brasileira e vínculo profissional com clubes ou entidades esportivas estabelecidos no Brasil.
A medida, se aprovada, atingiria diretamente jogadores brasileiros que atuam em clubes no exterior e também impediria a presença de treinadores estrangeiros à frente da Seleção.
A proposta foi apresentada na mesma semana em que a Seleção foi eliminada da Copa do Mundo de 2026 após perder por 2 a 1 para a Noruega nas oitavas de final. Entre os 26 convocados por Ancelotti, a grande maioria (19) atuava em clubes do exterior.
“Acabei de apresentar um projeto de lei para proibir jogadores de futebol que jogam no exterior e técnicos. Chega! Basta dessas estrelas que vêm para a Copa do Mundo como vestais e chegam na Copa, fazem o Brasil passar vergonha”, disse Hauly, em discurso na Câmara ao defender a proposta.
VETO TAMBÉM ÀS BETS
Em outro trecho, a proposta proíbe clubes, associações, agremiações e entidades de administração do esporte de firmar ou manter contratos de patrocínio, publicidade ou similares com empresas de apostas esportivas, jogos de azar e plataformas eletrônicas do setor. A vedação inclui a exposição de marcas em uniformes, estádios, centros de treinamento, placas, entrevistas transmissões, redes sociais e eventos esportivos.
Os contratos já em vigor teriam de ser encerrados em até 180 dias após a publicação da lei, caso o projeto seja aprovado e sancionado. O descumprimento poderia levar à suspensão do recebimento de recursos públicos federais, incentivos fiscais, além de outras sanções previstas na legislação.
O projeto ainda está em fase inicial de tramitação na Câmara. Depois de apresentado, o texto precisa ser despachado pela Mesa Diretora para análise das comissões temáticas. Caso seja aprovado nas comissões e, se necessário, no plenário da Câmara, poderá seguir ao Senado. (Hugo Henud)
