PorErik Silva7 de julho de 2026
Operação Gutenberg investiga movimentação de R$ 27 milhões em contratos públicos de livros paradidáticos e apura uso de cargos na saúde para pressionar compras
A Operação Gutenberg foi deflagrada nesta terça-feira pelo Gaeco do Ministério Público de Mato Grosso do Sul e cumpriu 16 mandados de prisão preventiva e 43 de busca e apreensão em Mato Grosso do Sul, São Paulo e Goiás em investigação sobre um suposto esquema que teria movimentado mais de R$ 27 milhões por meio de contratos públicos envolvendo livros paradidáticos.
O Gaeco aponta que a investigação identificou uma organização criminosa formada por empresários e servidores públicos que atuava para direcionar contratos e obter vantagens por meio de contratações feitas por inexigibilidade de licitação, modalidade em que o poder público contrata sem competição entre fornecedores, e que os valores pagos teriam sido distribuídos entre empresários, servidores e outras pessoas físicas e jurídicas usadas para ocultar a origem dos recursos.
Além dos contratos de livros, a apuração também busca evidências de atuação dentro da rede pública de saúde em que servidores com ligação ao grupo usavam influência para facilitar ou dificultar o acesso de pacientes a exames, cirurgias e vagas em hospitais como forma de pressionar ou beneficiar a venda dos materiais investigados.
Um dos alvos é Eronivaldo da Silva Vasconcelos Júnior, conhecido como Junior Vasconcelos, ex-prefeito de Fátima do Sul e apontado pelo Gaeco como chefe de gabinete do deputado Jamilson Name; Vasconcelos foi escrivão da Polícia Civil e foi cedido à Assembleia Legislativa em 2024, e em 2022 já havia sido alvo de inquérito do MPMS para apurar eventual ato de improbidade administrativa relacionado à emissão de cheques sem fundos após o término do mandato.
As ordens judiciais foram cumpridas em Campo Grande, Dourados, São Gabriel do Oeste, Caarapó, Corguinho, Porto Murtinho, em São Paulo e em Abadiânia; em Campo Grande as equipes recolheram documentos em pelo menos quatro endereços incluindo uma clínica de estética no Jardim dos Estados, o Complexo Regulador Estadual na Avenida Afonso Pena, o condomínio Vitalitá na Via Parque e um prédio na Ricardo Brandão.
A operação mobilizou equipes do Gaeco com apoio do BPChoque e do Bope e os mandados têm como objetivo apreender documentos, computadores, celulares e outros materiais que possam ajudar a esclarecer a estrutura financeira e a atuação dos investigados.
O Gaeco informou que o nome da operação faz referência a Johannes Gutenberg para marcar o contraste entre a função histórica dos livros na disseminação do conhecimento e a suspeita de que eles tenham sido usados para dar aparência legal a contratos investigados.
A reportagem foi até o gabinete de Jamilson Name e recebeu a informação de que Junior Vasconcelos não trabalha para o parlamentar e no site da transparência não consta lotação dele na Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul.
