Leonardo Cabral e Rosana Nunes em 02 de Julho de 2026
Anderson Gallo/Diário Corumbaense
O soldado da Polícia Militar, Marcelo Pimenta, de 32 anos, foi sepultado no final da manhã desta quinta-feira (2), em Corumbá, sob forte comoção de familiares, amigos, colegas de farda e moradores que prestaram as últimas homenagens ao policial, morto em serviço durante uma perseguição a criminosos armados.
O cortejo fúnebre teve início por volta das 10h, saindo da Capela Cristo Rei, onde ocorreu o velório. O caixão, coberto com a bandeira de Mato Grosso do Sul, foi transportado por viatura do 3º Grupamento de Bombeiros Militar e percorreu ruas da área central até o Cemitério Santa Cruz.
Ao longo do trajeto, que durou pouco mais de uma hora, centenas de pessoas acompanharam o cortejo a pé e em veículos. Em diversos pontos, moradores deixaram suas casas para aplaudir a passagem do cortejo, composto por viaturas de diferentes forças de segurança. Além da Polícia Militar, participaram representantes da Polícia Rodoviária Federal, Polícia Federal, Polícia Militar Rodoviária, Guarda Civil Municipal, Batalhão de Choque, BOPE, Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp), entre outras instituições.
Anderson Gallo/Diário Corumbaense
Na chegada ao cemitério, tiros de salva em homenagem ao policialO cortejo fez uma parada em frente ao 6º Batalhão da Polícia Militar, unidade onde Marcelo Pimenta atuava, para uma última homenagem dos companheiros de corporação. Policiais motociclistas abriram o percurso, enquanto um helicóptero da Polícia Militar sobrevoou parte do trajeto até o cemitério.
Na chegada do corpo, familiares – entre eles os pais Rosemeire Gonçalves Pimenta da Silva e Gerson Braga da Silva, a filha de sete anos, o irmão – e amigos próximos de Marcelo Pimenta receberam o caixão sob honras militares. Antes do sepultamento, foram disparados três tiros de salva em homenagem ao policial.
Anderson Gallo/Diário Corumbaense
Comandante-geral da corporação em MS, coronel Renato Garnes, destacou o legado deixado pelo policial militarDurante a cerimônia, o comandante-geral da Polícia Militar de Mato Grosso do Sul, coronel Renato dos Anjos Garnes, destacou o comprometimento de Marcelo e afirmou que ele deixa como legado a dedicação ao serviço público e à segurança da população. Em um dos momentos mais emocionantes da despedida, o comandante entregou a bandeira do Estado ao pai e à filha do soldado, Cecília, que, emocionada, aplaudia o pai. “Morreu cumprindo sua missão e peço a todos os companheiros de farda que gravem essas duas palavras: jovem guerreiro“, declarou o coronel, em homenagem à memória do militar.
O sepultamento ocorreu por volta das 11h, sob aplausos dos presentes. Como última homenagem, policiais do Grupamento Especial Tático de Motos (Getam), equipe da qual Marcelo fazia parte, entraram com suas motocicletas e as demais viaturas permaneceram perfiladas em frente ao cemitério, prestando continência ao policial que perdeu a vida no cumprimento do dever.
Anderson Gallo/Diário Corumbaense
A filha, Cecília, de 7 anos e o pai de Marcelo após receberem a bandeiraRelembre
A morte do soldado da PM desencadeou uma ampla operação das forças de segurança em Corumbá e Ladário, na fronteira com a Bolívia. O policial, integrante do Grupamento Especial Tático de Motos (Getam) do 6º Batalhão da PM, foi atingido por disparos de arma de grosso calibre durante uma perseguição a criminosos armados na noite de terça-feira, 30 de junho.
A ocorrência começou em Ladário, após homens que ocupavam um Fiat Argo efetuarem diversos disparos contra uma residência localizada nas proximidades da Praça do bairro Almirante Tamandaré. As investigações apontam que o ataque tinha como alvo um homem que saiu ileso.
Após serem acionadas, equipes do GETAM localizaram o veículo e iniciaram o acompanhamento. Durante a tentativa de abordagem, os suspeitos reagiram atirando contra os policiais. Marcelo Pimenta, que estava com outro policial na garupa, foi baleado, socorrido em estado grave e morreu na Santa Casa.
Na mesma noite, foi deflagrada uma operação integrada envolvendo unidades especializadas da Polícia Militar, Polícia Civil, Polícia Penal, Departamento de Operações de Fronteira (DOF), Força Integrada de Combate ao Crime Organizado (FICCO), coordenada pela Polícia Federal, além do apoio essencial da Polícia Boliviana, após os suspeitos atravessarem a fronteira. As ações incluíram bloqueios, reforço no patrulhamento e diligências para localizar os envolvidos.
Durante a operação, os policiais encontraram o veículo utilizado pelos suspeitos e apreenderam um arsenal formado por dois fuzis, duas pistolas, um revólver calibre .38 e grande quantidade de munições. O material estava em um imóvel onde uma mulher de 33 anos foi presa.
Também foram presos dois homens: Everton da Silva Viana, de 41 anos e Rubens Zilio Neto, de 35 anos. O tenente-coronel Samuel Castilho Ferreira Aragão, comandante do 6º BPM, informou que durante as buscas pelo armamento, Everton tentou dificultar o trabalho policial, indicando locais diferentes onde supostamente estariam escondidas as armas. Em determinando momento, ele tentou tomar a arma de um dos policiais e acabou baleado. O suspeito foi levado ao Pronto-Socorro, mas não resistiu e veio a óbito. Um terceiro envolvido segue sendo procurado.
De acordo com o comando da Polícia Militar, as apurações indicam que o ataque está relacionado a um conflito interno, que envolve drogas, entre integrantes do Primeiro Comando da Capital (PCC) e não um confronto de facções rivais.
