Gesiane S. Lourenço
Uma suposta relação de camaradagem militar terminou em uma tentativa de latrocínio na madrugada desta quinta-feira, 11 de junho, em Corumbá. Um fuzileiro naval de 24 anos sobreviveu após ser atingido por um disparo de arma de fogo na região da nuca. O crime foi planejado e executado por um colega de farda, identificado como D.B.S., de 21 anos, com a ajuda de dois comparsas identificados pelas iniciais C.V.G.L., de 23 anos, e C.O.M.Y., de 18 anos. Todos os envolvidos foram presos em flagrante pela Polícia Civil.
A dinâmica do crime teria começado dentro do próprio alojamento da Marinha. D.B.S. teria solicitado uma carona à vítima, que aceitou o pedido sem desconfiar das intenções do colega. O militar teria então assumido a direção de seu próprio veículo, um Chevrolet Ônix de cor prata, com Davi no banco do passageiro. Em determinado momento, o agressor teria retirado abruptamente a chave da ignição, sacado um revólver que carregava na cintura e rendido a vítima, ordenando que ela passasse para o banco traseiro e permanecesse com a cabeça abaixada.
Pouco tempo depois, C.V.G.L. e C.O.M.Y teriam entrado no carro para dar suporte à ação. O plano inicial do grupo era seguir em direção à estrada da Bocaina, mas a rota foi alterada após um dos suspeitos alertar sobre a presença de equipes de segurança na região. Diante do risco de flagrante, os criminosos mudaram o destino para uma rua de terra isolada, localizada nos fundos do Residencial Flamboyant III. No local, D.B.S. teria obrigado o fuzileiro a descer do carro, ordenado que ele se deitasse no chão e efetuado o disparo à queima-roupa na nuca do colega, fugindo com o automóvel logo em seguida.
Surpreendentemente, mmesmo gravemente ferido, o fuzileiro naval conseguiu caminhar até uma conveniência nas proximidades para pedir socorro. Moradores da região o socorreram e o encaminharam à Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do bairro Guatós. Na unidade de saúde, os médicos constataram que o projétil permanecia alojado na nuca. Apesar do ferimento, a vítima manteve a consciência e conseguiu relatar os detalhes do ocorrido e identificar o autor do crime, o que possibilitou o início imediato das buscas policiais. O militar foi posteriormente transferido e internado na Santa Casa Municipal.

A partir das informações coletadas com a vítima, as forças de segurança iniciaram um cerco na região de fronteira. Diante do risco iminente de travessia do veículo para o país vizinho, o Posto Fiscal Esdras foi alertado. D.B.S., apontado como mentor fo crime, foi localizado e detido enquanto consumia bebidas alcoólicas em uma lanchonete na Rua 14 de Março, no município vizinho de Ladário. No interior do automóvel de D.B.S., os policiais apreenderam um revólver calibre .22 com munições deflagradas e percutidas, além de porções de skunk, joias, um soco inglês e uma fita-crepe. Durante a abordagem, o fuzileiro resistiu à prisão e precisou ser contido pela equipe.
Paralelamente, o veículo roubado da vítima foi interceptado e recuperado no Posto Fiscal Esdras. O carro era conduzido por C.V.G.L. e C.O.M.Y, que confessaram a participação no crime e revelaram que receberiam R$ 1.000 cada um pelo transporte do carro. C.O.M.Y atuaria como guia na Bolívia, enquanto Davi alegou aos policiais que a droga encontrada em seu carro havia sido comprada na barbearia de Claudio e mencionou que os dois já haviam realizado outras “parcerias” criminosas anteriormente. O caso foi registrado na Delegacia de Polícia Civil de Corumbá como tentativa de homicídio, associação criminosa, roubo, porte ilegal de arma de fogo e resistência. O comando da Polícia Militar foi acionado para acompanhar os procedimentos devido ao envolvimento de membros das Forças Armadas. faria a travessia do automóvel. Em depoimento, os comparsas afirmaram que a ideia original era apenas amarrar a vítima com a fita-crepe localizada no veículo de D.B.S., mas o fuzileiro naval decidiu mudar o plano por conta própria e atirar no colega de farda.
D.B.S. alegou aos policiais que a droga encontrada em seu carro havia sido comprada na barbearia de C.V.G.L. e mencionou que os dois já haviam realizado outras “parcerias” criminosas anteriormente. O caso foi registrado na Delegacia de Polícia Civil de Corumbá como tentativa de homicídio, associação criminosa, roubo, porte ilegal de arma de fogo e resistência.
O Capital do Pantanal solicitou nota oficial à Marinha do Brasil a respeito do caso, mas até o fechamento dessa matéria, não obteve resposta. O espaço segue aberto.
