PorErik Silva
Durante a 7ª Reunião Plenária do Conselho de Desenvolvimento Econômico Social Sustentável, o presidente tratou das manifestações que ocorrem no México e informou sobre uma teleconferência agendada para a tarde desta quarta-feira, dia 10, com a presidente mexicana Claudia Sheinbaum.
Ao evocar as mobilizações de 2013 no Brasil, o presidente recordou como episódios de rua podem ter desdobramentos políticos que alteram rumos do país. “A extrema-direita tirou proveito e fez o impeachment da Dilma [ex-presidente Dilma Rousseff, em 2016]. Vocês conhecem o resultado e elegeram até presidente da República”
O contexto mexicano, segundo a apresentação feita por Lula, envolve protestos liderados por professores que exigem reajuste salarial e têm provocado bloqueios de vias e confrontos com forças de segurança na capital, justamente na véspera da abertura da Copa do Mundo, competição que o México sediará em conjunto com Estados Unidos e Canadá. “Eu acho que tem o dedo de alguém e que, talvez, nem seja mexicano.”
Além das comparações entre os episódios de Brasil e México, o presidente fez críticas ao impacto da circulação rápida de informações não verificadas nas redes digitais e ao prejuízo disso para o debate público. “Estamos vivendo um momento muito delicado na política e na humanidade. A narrativa e o argumento não valem mais nada. O que vale é a rapidez da mentira nas redes digitais, tanto para a direita quanto para a esquerda. É uma disputa do quanto mais curto, melhor. E quanto menos explicado, melhor.”
Na sequência, ele ressaltou a necessidade de resgatar a centralidade do argumento na vida pública, associando esse resgate a um critério de civilidade nas disputas eleitorais. “O mundo só vai ser civilizado quando a gente voltar a ter em conta o que é o argumento, é a narrativa das coisas que podem convencer a seriedade de alguém que disputa um cargo em qualquer lugar. E não estamos vivendo este momento”
Conforme informado na reunião, a teleconferência com a presidente mexicana está marcada para a tarde de quarta-feira e deve tratar diretamente das ocorrências no país vizinho, sem divulgação de detalhes adicionais sobre a pauta ou desdobramentos previstos.
