PorHeraldo Neves2 de abril de 2026
A sanção da lei n° 6.563/2026 institui a juruva, Baryphthengus ruficapillus, como ave símbolo dos domínios da Mata Atlântica em Mato Grosso do Sul e define como objetivos promover a biodiversidade local, incentivar ações de educação ambiental, estimular o turismo de observação de aves e apoiar a pesquisa científica, além de ampliar a conscientização sobre a preservação do bioma.
A proposição foi encaminhada pela Frente Parlamentar de Unidades de Conservação durante reunião na Assembleia Legislativa realizada em 27 de maio de 2025, data em que se comemora o Dia Nacional da Mata Atlântica, e o resultado da consulta pública foi divulgado em 5 de junho, no Dia Mundial do Meio Ambiente.
A sanção ocorre em momento estratégico logo após a realização da COP15 em Mato Grosso do Sul, o que reforça o protagonismo do estado nas discussões internacionais sobre conservação da biodiversidade.
A Fundação de Turismo de Mato Grosso do Sul participou desde a elaboração da proposta e passa a integrar ações de promoção e posicionamento do estado no turismo de natureza. Edson Moroni, gerente de Estruturação e Inovação da Oferta Turística da Fundtur, destacou a atuação da fundação durante a construção da iniciativa. “A Fundação de Turismo participou ativamente desde o início da construção dessa iniciativa. Estamos felizes em ver esse passo se concretizando, fortalecendo a valorização da biodiversidade e do turismo de natureza no estado”
Para a gestão pública responsável pelo desenvolvimento turístico a escolha também tem papel simbólico na consolidação do segmento de observação de aves como vetor econômico e de identidade local. Geancarlo Merighi, diretor de Desenvolvimento do Turismo da Fundtur MS, ressaltou a importância dessa articulação institucional. “A escolha da ave símbolo reforça a valorização da identidade local e o papel da gestão pública na consolidação do segmento de observação de aves como vetor de desenvolvimento sustentável”
A nova legislação prevê ainda que o Poder Executivo poderá adotar medidas complementares para promover a imagem da espécie em campanhas educativas, em materiais institucionais e em eventos ambientais, ampliando a presença da juruva em ações de sensibilização e difusão científica.
Representantes de reservas particulares e iniciativas locais avaliaram a aprovação como resultado de esforço coletivo envolvendo instituições públicas e sociedade civil. Ana Luzia Abrão, gestora da RPPN Ernesto Vargas Baptista, em Eldorado, pontuou o caráter colaborativo da iniciativa. “Essa aprovação mostra a união de diversas instituições em prol da valorização de uma espécie emblemática da nossa fauna. Destaco o papel da Fundação de Turismo, das IGRs, da Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul, do Imasul, das RPPNs, das prefeituras e das organizações locais”
O setor privado e operadores turísticos também enxergam desdobramentos práticos na atividade. José Lucas, operador turístico e executivo da Instância de Governança Vale das Águas, avaliou a medida como um marco para o segmento de aviturismo. “Essa ação foi fundamental para valorizar o segmento de turismo de observação de aves. Houve uma mobilização importante de diversos atores, e entendemos que fortalecer esse segmento é estratégico para o desenvolvimento sustentável do território”
Iniciativas e rotas para observação de aves
Em continuidade às ações estruturantes, a Fundtur, em parceria com a IGR Vale das Águas e o Imasul, lançou recentemente uma rota de observação de aves em Unidades de Conservação da Mata Atlântica, ação que amplia oportunidades para o aviturismo na região e cria circuitos que podem ser integrados a programas de pesquisa e educação ambiental.
Área do bioma e proteção
Mato Grosso do Sul concentra cerca de 6,3 milhões de hectares inseridos no bioma Mata Atlântica, abrigando a maior área contínua preservada desse bioma no interior do país. Desse total, mais de 1 milhão de hectares estão protegidos em unidades de conservação, entre as quais o Parque Estadual das Várzeas do Rio Ivinhema e a Área de Proteção Ambiental das Ilhas e Várzeas do Rio Paraná, além de reservas particulares e áreas municipais protegidas.
A juruva é espécie típica da Mata Atlântica reconhecida por sua beleza singular e comportamento discreto, e é considerada importante indicador da qualidade ambiental dos ecossistemas florestais. Com a institucionalização da ave símbolo, o estado reforça seu posicionamento como destino estratégico para o turismo de natureza, integrando conservação ambiental, pesquisa científica, educação e desenvolvimento econômico.
