Apartamento cheio de eletrônicos pega fogo no Recife e irmãos morrem incendiados

Evelin Cáceres-19/03/2026

Duas crianças morreram num incêndio em um apartamento no Residencial Ignêz Andreazza, no bairro de Areias, na zona oeste do Recife. As vítimas dormiam no mesmo quarto, no segundo andar do bloco, quando, na madrugada desta quinta-feira (19), as chamas começaram. Elas tentaram escapar pela janela, mas morreram sentadas na grade que protege o cômodo.

As vítimas eram dois irmãos: Rodrigo Magalhães de Lira Júnior, de 11 anos, e Antônio Emanuel de Paula Magalhães, de 9 anos. Além deles, moravam no apartamento três adultos. Todos ficaram feridos. Segundo relatos dos moradores, o incêndio começou na madrugada, por volta das 3h30.

A tragédia aconteceu no Bloco 342, que fica no Módulo 1 do residencial, próximo à Rua Tapajós. Construído em 1983, o Ignêz Andreazza é o maior conjunto residencial da América Latina.

Segundo o Corpo de Bombeiros, os feridos foram encaminhados ao Hospital da Restauração, no Derby, no Centro do Recife. Todos são da mesma família e moravam no apartamento atingido.

Circulam na internet vídeos do momento do incêndio, mas que não serão divulgados, porque as imagens são fortes. Eles mostram as crianças sentadas na grade, já mortas, após terem tentado fugir das chamas. Outras imagens também mostram os corpos pegando fogo.

Bombeiros disseram, ainda, que o incêndio aparentemente começou próximo à porta do quarto das crianças. Na manhã desta quinta-feira (19), a grade da janela em que os meninos morreram foi coberta por um pano branco. A parede externa, ao redor da abertura, apresentava manchas escuras pelo fogo.

O Corpo de Bombeiros encaminhou cinco equipes para a ocorrência. O Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência), que foi acionado às 3h58, atendeu cinco pessoas no local do incêndio, incluindo as duas crianças mortas.

Causas do incêndio

Hélio Ribeiro, síndico do residencial, informou que o apartamento tinha muitos equipamentos eletrônicos, e que isso pode ter agravado o incêndio.

“O morador é acumulador de materiais, de objetos. Ele é técnico de eletrônica. Então, acumulava dentro do apartamento muitos eletrodomésticos antigos. Isso talvez tenha facilitada a propagação do fogo”, disse.

De acordo com o perito André Amaral, a quantidade de eletrodomésticos e eletrônicos acumulados dentro do apartamento impressionou a equipe da perícia. As chamas foram controladas pelos bombeiros, que confirmaram a presença de muitos entulhos dentro do apartamento.

“O pessoal conteve essa questão do incêndio que estava no local. Se ele se alastrasse para a sala, seria até pior a situação. O que foi observado pela equipe que chegou primeiro é que as crianças estavam no quarto, sem condições de sair”, disse o tenente-coronel Paulo Roberto.

Equipes da Polícia Militar e do Instituto de Criminalística também foram ao local acompanhar a ocorrência. A perícia realizada no local identificou rachaduras graves no apartamento do terceiro andar, acima do que pegou fogo. Os dois imóveis foram interditados pela Defesa Civil.

Por causa da quantidade de material encontrada, a causa do incêndio ainda não foi identificada. Porém, ao que indica a perícia, o foco das chamas começou próximo à porta do quarto onde as duas crianças que morreram estavam.

Em nota, a Polícia Civil informou que está investigando o caso por meio da Delegacia de Afogados.