Mulher de ‘Marcinho VP’, preso em Campo Grande, seria ponte de recados da facção para o país

Thatiana Melo-11/03/2026

A operação deflagrada na manhã desta quarta-feira (11), no Rio de Janeiro, contra a facção criminosa Comando Vermelho, tem como alvos familiares de Marcinho VP, que está preso na Penitenciária Federal de Campo Grande. O vereador Salvino Oliveira (PSD) e outras cinco pessoas foram presos na operação.

Conforme informações, Márcia Gama, mulher de Marcinho VP e mãe do cantor Oruan, seria a ponte da facção levando recados do líder para o restante de membros do Comando Vermelho, no país. O ‘cérebro’ do CV estaria funcionando a partir de Campo Grande, de acordo com informações.  

Oruan já teria vindo até Campo Grande para visitar o pai, que está encarcerado no Presídio Federal. Ele chegou a ser preso e liberado com tornozeleira eletrônica. 

De acordo com a denúncia, durante uma operação da Polícia Civil na casa de Oruam em 22 de julho de 2025 para cumprimento de ordem judicial de busca e apreensão de um menor que teria praticado atos análogos ao tráfico de drogas e crimes patrimoniais, o rapper e outras sete pessoas arremessaram pedras de grande peso e volume nas vítimas.

Família de ‘Marcinho VP’

Segundo a polícia, também foi identificada a participação direta de familiares de Márcio dos Santos Nepomuceno, o “Marcinho VP”, um dos principais líderes do CV.

Segundo apurado pela corporação, Márcia Gama, esposa do homem e mãe do artista Oruam, atuava na intermediação de interesses do grupo fora do sistema prisional, participando da circulação de informações entre integrantes e de articulações envolvendo operadores da organização e agentes externos.

Outra pessoa investigada e apontada como peça relevante na estrutura é Landerson, um sobrinho de Marcinho VP. A polícia afirma que ele exerce papel de elo entre lideranças da facção, integrantes que atuam em comunidades dominadas pelo grupo e pessoas envolvidas em atividades econômicas usadas pelo CV.

Entre as ações, estão serviços, imóveis e outros negócios usados para geração de recursos e expansão do poder do grupo. Tanto Márcia quanto Landerson não foram localizados em seus endereços e são considerados foragidos da Justiça.

Cooperação entre CV e PCC

Também foram identificados casos de criminosos que se passavam por policiais militares para obter vantagens ilícitas, como vazamento de informações e simulação de operações.

O material investigativo aponta ainda para indícios de cooperação entre o Comando Vermelho e o Primeiro Comando da Capital.

Em comunicado, o gabinete do vereador afirmou que não recebeu qualquer informação oficial sobre o ocorrido. “A assessoria jurídica já foi acionada e aguardamos esclarecimentos das autoridades competentes para compreender os fatos”, diz a nota.