Leonardo Cabral e Rosana Nunes em 25 de Janeiro de 2026
Diário Corumbaense
O comportamento de Antônio Lima Ohara, de 73 anos, após o assassinato da ex-esposa Rosana Candia, de 62 anos, causou indignação e perplexidade entre moradores de Corumbá. Preso em flagrante pelo crime de feminicídio, ele demonstrou frieza durante e após o crime, conforme relatos registrados no boletim de ocorrência nº 390/2026 ao qual o Diário Corumbaense teve acesso.
Um vizinho contou à Polícia que ouviu gritos de socorro da vítima e ao observar por cima do muro de sua residência, viu Antônio agredindo Rosana, que se encontrava caída ao solo. Ele dava golpes na região do rosto e na cabeça com um pedaço de madeira do tipo caibro. Diante da cena, o vizinho gritou: “Você não pode fazer isso com ela, você vai matá-la, eu vou chamar a polícia”. Antônio, sorrindo, continuou a agredir a vítima, relatou a testemunha.
Outro vizinho disse que tentou dialogar com o autor, que de imediato respondeu que o fato era “assunto de família” e que se intrometesse, “sobraria para ele”.
Antes de fugir em uma bicicleta, Antônio continuou ameaçando quem tentou ajudar Rosana. “Você pode mudar daqui da sua casa, e se eu for preso você vai ser o próximo, eu vou matar você”, disse a uma das testemunhas. Um vizinho ainda tentou segui-lo, mas o perdeu de vista.
“Vou tomar chá de camomila”
Localizado e detido por policiais do Setor de Investigações Gerais (SIG) da 1ª Delegacia de Polícia Civil e da DAM (Delegacia de Atendimento à Mulher), na casa de um parente, Antônio reagiu de forma incomum ao receber voz de prisão. Segundo o boletim de ocorrência, ele afirmou: “Eu vou tomar meu chá de camomila primeiro”, em referência a uma bebida que estaria sendo preparada pela cunhada. Imediatamente, ele foi algemado e levado para o Distrito Policial, onde ameaçou os policiais, alegando ser pessoa “influente”.
Reprodução/Rede Social
Rosana foi descrita como uma mulher tranquila e atenciosa
O feminicídio de Rosana Candia foi o primeiro registrado em Corumbá e o segundo em Mato Grosso do Sul neste primeiro mês do ano. Ela sofreu graves ferimentos no rosto e apresentava afundamento do crânio. O óbito foi constatado pelo médico da equipe plantonista do Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência).
Nas redes sociais, familiares e amigos manifestaram indignação e pediram justiça. Quem a conhecia, descreveu Rosana como uma mulher tranquila e atenciosa. Ela e Antônio estavam separados há muitos anos e mesmo ameaçada várias vezes, nunca registrou boletim de ocorrência contra o ex-marido.
Além de feminicídio, o caso foi registrado como ameaça e desacato e segue sob investigação da Polícia Civil. O autor permanece à disposição do Poder Judiciário.
Qualquer pessoa que presenciar casos de violência doméstica deve ligar para a Central 180, que funciona 24 horas, de graça, e a ligação pode ser anônima. Em caso de emergência, procure a PM pelo 190. Violência contra mulheres, crianças, idosos ou qualquer pessoa não pode ser silenciosa.
