Europa planeja envio de tropas à Groenlândia em resposta as ameaças de Trump

PorErik Silva13 de janeiro de 2026

Nações europeias fortalecem planos militares na ilha dinamarquesa para dissuadir possível anexação por washington e garantir estabilidade regional.

Um grupo de nações europeias discute o envio de tropas militares à Groenlândia nas próximas semanas. A iniciativa surge como uma resposta direta às declarações do ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre uma possível anexação do território. Liderados pela Alemanha, esses países buscam reforçar a segurança e dissuadir qualquer tentativa unilateral de tomada de posse.

A Groenlândia, um território semiautônomo dentro do reino da Dinamarca, tem sua soberania intrinsecamente ligada à nação escandinava. Tanto a Dinamarca quanto os Estados Unidos são membros da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), o que classifica as tensões como um conflito crescente entre aliados ideológicos, econômicos e militares. Apesar disso, Donald Trump expressou sua intenção de tornar a Groenlândia um território americano.

O repúdio às falas de Trump foi generalizado entre líderes europeus, abrangendo desde a esquerda, com Pedro Sanchez da Espanha, até a direita, representada por Giorgia Meloni da Itália. A organização europeia visa enviar patrulhas de tropas para a Groenlândia. O objetivo é proteger o território e oferecer garantias aos norte-americanos de que não haverá interferência russa ou chinesa na região.

Z Anexação Groenlândia Europa

No entanto, do ponto de vista legal, uma anexação unilateral da Groenlândia exigiria a aprovação do Congresso dos EUA, que dificilmente autorizaria a invasão de um país aliado. Uma eventual compra também dependeria do aval do Congresso e do Senado, além da aceitação da Dinamarca, que reiterou que o território não está à venda. A questão, portanto, levanta uma série de problemas diplomáticos e de direito internacional.

O governo americano, sob a perspectiva de Trump, argumenta que a posse da Groenlândia é fundamental para a segurança nacional dos Estados Unidos na região do Ártico. Além disso, são citadas as questões econômicas, como as reservas férteis de minerais de terras raras, jazidas de petróleo e outros minerais críticos que poderiam enriquecer os EUA.

As próximas semanas prometem ser cruciais. Marco Rubio, o chefe da diplomacia norte-americana, tem um encontro agendado na Dinamarca com a primeira-ministra Mette Frederiksen para discutir a situação. A líder dinamarquesa já declarou publicamente seu posicionamento.

“Não cederá a pressão dos Estados Unidos e que o destino da Groenlândia cabe aos dinamarqueses como soberanos sobre esse território e aos próprios groenlandeses que também tem a sua autonomia garantida a partir de mudanças constitucionais feitas neste século XX.”

Líderes ocidentais alertam que uma ação militar de Donald Trump na Groenlândia poderia significar o fim completo da Aliança Militar Ocidental, dado que um aliado agrediria outro dentro do mesmo bloco sem justificativa. Vale ressaltar que os Estados Unidos já mantêm uma base militar no território. Quanto à exploração mineral, acordos bilaterais seriam suficientes, e tanto Dinamarca quanto Groenlândia já sinalizaram disposição para aceitá-los.

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A postura de Trump, porém, diverge dessas possibilidades. Em pronunciamento recente, ele afirmou.

“Não se trata de aluguel, se trata de um território americano. Não é porque chegaram na Genelândia 300 anos depois de nós. Nós vamos aceitar que quem chegou a 300 anos antes na na Groenlândia seja o proprietário. Nós chegamos depois, mas nós seremos os proprietários da Groenlândia.”

A União Europeia tem demonstrado uma postura historicamente mais reativa do que proativa frente a certos conflitos e atitudes de Trump. Embora a França, com o presidente Macron, tenha sido mais vocal, e a Alemanha e a Polônia comecem a se posicionar, a Inglaterra, um aliado histórico dos EUA, permaneceu em silêncio até o momento. A Europa reconhece, contudo, que seu PIB é a metade do norte-americano e que, militarmente, não teria como se equiparar aos Estados Unidos em um confronto direto.