Rosana Nunes em 09 de Janeiro de 2026
Divulgação/Câmara de Corumbá
A Comissão de Ética e Decoro Parlamentar da Câmara de Corumbá iniciou nesta sexta-feira, 9, procedimento ético disciplinar para apurar o caso ocorrido no dia 27 de dezembro de 2025 envolvendo o vereador Elio Moreira Júnior e o vendedor ambulante José Elizeu, seguindo o que determina o Regimento Interno do Poder Legislativo em casos de quebra de decoro parlamentar e quais são as sanções aplicáveis.
A reunião ocorreu na parte da manhã na sala de reuniões dos vereadores em cumprimento a ofício da Mesa Diretora, encaminhado na quinta-feira, 8, pelo presidente Ubiratan Canhete de Campos Filho ao presidente da Comissão de Ética e Decoro Parlamentar, Roberto Gomes Façanha.
No mesmo dia, Façanha convocou os integrantes para instauração do procedimento já nesta sexta-feira. A partir de agora, a Comissão terá um prazo máximo de 90 dias para conclusão do Procedimento Ético Disciplinar, cujo parecer será colocado em votação pelo plenário da Câmara Municipal de Corumbá para aprovação ou rejeição, informou a assessoria de imprensa do Legislativo.
A Comissão de Ética e Decoro Parlamentar é integrada ainda pelo vereador Hesley Sant’Ana e pela vereadora Hanna Santana como primeiro e segundo membros. Além deles, fazem parte os vereadores Jovan Temeljkovitch e Alexandre Vasconcellos na primeira e segunda suplência, respectivamente.
A Delegacia Regional de Polícia Civil, que abriu procedimento para apurar o caso, informou que o vereador Elio Moreira Junior cometeu os crimes de injúria (pena de detenção de 3 meses a 1 ano), ameaça (detenção de 1 a 6 meses) e dano (também detenção de 1 a 6 meses) contra José Elizeu. “Agora as próximas providências estão a cargo do Ministério Público e do Judiciário”, afirmou o delegado regional, Fabrício Dias dos Santos.
“Os fatos que ele (vereador) praticou configuram infrações penais de menor potencial ofensivo (penas inferiores a 2 anos, o que atrai a competência do Juizado Especial) e são investigados por meio de um procedimento mais simples, chamado Termo Circunstanciado de Ocorrência, que substitui o Inquérito Policial. No TCO não há a formalidade do indiciamento”, explicou o delegado ao ressaltar que a “instauração do TCO não é uma escolha individual do delegado, mas uma imposição da lei”.
Todas as partes envolvidas prestaram depoimento, além de testemunhas civis, policiais militares e policiais civis de plantão. Também foram analisadas imagens das câmeras internas e externas da delegacia, bem como registros do sistema, relatórios de plantão e os vídeos que circularam nas redes sociais.
Relembre
Reprodução/Rede Social
Imagens da confusão gravadas pelo próprio ambulante
A confusão envolvendo o vereador e o vendedor de salgados, ocorreu no final da tarde do dia 27 de dezembro, em frente à lanchonete da família do parlamentar, localizada na rua Delamare, centro de Corumbá.
As imagens, gravadas pelo ambulante, indicam que tudo começou após uma divergência com a esposa do vereador, que estava no estabelecimento comercial. José havia parado em frente ao prédio para vender seus salgados.
Durante a gravação, o vereador aparece, afirma ser o proprietário da lanchonete e acusa o homem de incomodar sua esposa. Em seguida, enquanto as imagens ainda eram gravadas, Elinho Jr. faz ameaças e quebra o isopor utilizado pelo vendedor para armazenar os salgados. O vídeo termina com o vereador e a esposa mandando que as imagens fossem apagadas.
Horas depois do ocorrido, o ambulante publicou um vídeo dizendo: “eu me alterei, eles também se alteraram, então, pessoal, não leve isso adiante”. No entanto, no dia seguinte, José Elizeu fez nova postagem em sua rede social, na qual afirma ter sido forçado a fazer a publicação. A Polícia Civil também abriu procedimento interno para apurar a denúncia de que um policial civil teria coagido o vendedor.
Já o vereador se pronunciou por meio de vídeo e afirmou ter “perdido a cabeça”.
