Rosana Nunes 

Anderson Gallo/Arquivo Diário Corumbaense

A Marinha do Brasil, por meio da Capitania Fluvial do Pantanal (CFPN), informou que instaurou um Inquérito Administrativo sobre Acidentes e Fatos da Navegação (IAFN) para apurar um acidente envolvendo um comboio de barcaças e os  dolphins – pilares de proteção – da ponte sobre o rio Paraguai, na BR-262, em Corumbá.

A colisão ocorreu na tarde desta segunda-feira, 31 de agosto. Segundo a CFPN, a embarcação foi identificada e o inquérito vai esclarecer as possíveis causas e a eventual responsabilidade dos envolvidos, conforme os procedimentos estabelecidos nas Normas da Autoridade Marítima.

Durante a investigação, deverão ser colhidos depoimentos, documentos e outras informações consideradas necessárias para o completo esclarecimento dos fatos.

A Capitania destacou que, neste momento, não é possível antecipar conclusões sobre as causas do acidente ou atribuir responsabilidades. A CFPN informou ainda que acompanha a situação e adotará as medidas cabíveis, dentro de suas atribuições, para garantir a segurança da navegação e de quem trafega pela região.

O comboio estava a serviço da mineradora Lhg. Em nota, a empresa reforçou que as causas da ocorrência envolvendo as barcaças ainda estão sendo investigadas. “A Lhg está empenhada na apuração dos fatos”, informou.

Histórico de colisões

A ponte sobre o rio Paraguai tem 1.890 metros de extensão e foi inaugurada em maio de 2001 para substituir a travessia por balsa. A estrutura é a principal ligação por estrada entre Corumbá, Ladário e o restante do país e recebe diariamente grande fluxo de veículos pesados, principalmente de minério, além do movimento de embarcações pelo rio.

Ao longo dos anos, a estrutura acumulou um histórico de danos provocados por embarcações:

Maio de 2011 – O empurrador paraguaio Doña Carmen, que conduzia a barcaça Panchita G21 em um comboio formado por 16 barcaças carregadas com farelo de soja, colidiu contra o pilar central da ponte. O impacto abriu uma fenda de cerca de 20 centímetros e provocou a interdição da rodovia por seis horas, isolando temporariamente a região pantaneira. Os reparos definitivos foram concluídos apenas em 2012.

Agosto de 2014 – Um comboio formado por seis barcaças paraguaias carregadas com farelo de milho atingiu a estrutura e provocou o deslocamento de um dos blocos de sustentação, com reflexos nas fundações. O episódio resultou na decretação de situação de emergência por seis meses.

2016 – Durante um temporal, barcaças se desprenderam e atingiram a ponte, exigindo a realização de obras emergenciais.

2020 – Um dos dolphins – estruturas de proteção instaladas para evitar impactos diretos contra a ponte – foi destruído após um abalroamento, sendo necessária sua reconstrução completa.

Recuperação

Atualmente, a ponte sobre o rio Paraguai passa por obras de recuperação, executadas pela Agesul (Agência de Gestão e Empreendimentos de Mato Grosso do Sul), por meio de termo de cooperação técnica com o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT), com investimento superior a R$ 11,7 milhões. 

Os serviços incluem a recuperação dos elementos estruturais, correção de falhas e reforço da ponte.

Somente em agosto, o tráfego foi suspenso por três fins de semana seguidos para a concretagem da laje. O tráfego na ponte opera em meia pista, em sistema de pare e siga, desde o início das intervenções na estrutura.