Pescar dourado em MS pode render multa de até R$ 100 mil; entenda por que a espécie é protegida

PorErik Silva20 de julho de 2026

Quem pesca dourado em Mato Grosso do Sul pode responder por crime ambiental, perder os equipamentos utilizados e receber multas que chegam a R$ 100 mil. A proibição, que está em vigor há seis anos, tem como objetivo principal recuperar a população de uma das espécies mais emblemáticas dos rios sul-mato-grossenses e permanece válida até 31 de março de 2027.

O tema voltou ao debate neste fim de semana após um pescador ser multado em R$ 5.547 pela Polícia Militar Ambiental (PMA), em Dourados, ao ser flagrado transportando um exemplar da espécie durante uma fiscalização. O caso, porém, é apenas um exemplo da legislação que protege o peixe em todo o território estadual.

Por que o dourado está com a pesca proibida?

A captura do dourado foi suspensa porque a espécie apresentou redução em sua população ao longo dos anos, resultado de fatores como pesca predatória, pressão sobre os estoques pesqueiros e alterações ambientais nos rios.

Para permitir a recuperação natural do peixe, Mato Grosso do Sul aprovou a Lei Estadual nº 5.321, que proibiu não apenas a captura, mas também o embarque, transporte, comercialização, processamento e industrialização do dourado.

pesque e solte

A única exceção prevista é para a modalidade pesque e solte, além do consumo por pescadores profissionais e comunidades ribeirinhas e da comercialização de exemplares produzidos em piscicultura.

Segundo a legislação, a proibição também serve para garantir a realização de estudos técnicos, científicos e econômicos que irão indicar se a população do dourado voltou a apresentar níveis considerados sustentáveis nos rios do estado.

Esses levantamentos deverão ser concluídos e apresentados em audiência pública na Assembleia Legislativa até fevereiro de 2027. Somente após a análise desses dados será discutida a manutenção ou não da restrição.

Multas são mais rigorosas

As punições para quem desrespeita a legislação são mais severas do que as previstas para outras infrações de pesca.

De acordo com o tenente-coronel Idenílson Queiroz, da Polícia Militar Ambiental, a multa mínima para quem captura um dourado corresponde a cerca de 100 Uferms, atualmente em torno de R$ 2,7 mil.

Além desse valor, o infrator ainda paga R$ 20 por quilo do pescado apreendido. Dependendo das circunstâncias da ocorrência, a multa pode alcançar R$ 100 mil.

A infração também pode resultar em responsabilização criminal, com pena de detenção de um a três anos, além da apreensão dos peixes, embarcações, veículos e equipamentos utilizados na pesca.

O “Rei do Rio”

O dourado (Salminus brasiliensis) é considerado um dos peixes mais valorizados da pesca esportiva no Brasil. Presente na Bacia do Prata, especialmente nos rios Paraguai e Paraná, destaca-se pelo porte, pela coloração dourada e pelo comportamento agressivo, características que lhe renderam o apelido de “Rei do Rio”.

Em Mato Grosso do Sul, a proteção da espécie começou antes mesmo da lei estadual. Em Corumbá, por exemplo, a captura já era proibida desde 2011, medida que atendeu reivindicações de ambientalistas e do setor de turismo de pesca.

Hoje, a restrição vale para todos os rios do estado.

Caso recente reforçou o alerta

A discussão voltou à pauta neste sábado (18), quando um homem foi autuado pela Polícia Militar Ambiental durante fiscalização em uma estrada vicinal próxima ao Rio Dourados.

Polícia Militar Ambiental inspeciona caminhonete com balde contendo um dourado durante fiscalização em Dourados, MS.

Segundo a PMA, um exemplar de dourado foi encontrado em um balde transportado na carroceria do veículo. O pescador apresentou licença para pesca amadora e informou que havia capturado o peixe no Rio Dourados.

Como a legislação estadual proíbe a captura e o transporte da espécie, ele foi autuado por crime ambiental, recebeu multa de R$ 5.547 e teve o peixe e os equipamentos de pesca apreendidos.