Operação Iscariotes mira esquema de contrabando com participação de agentes públicos em MS e MG

Rosana Nunes em 18 de Março de 2026

Divulgação/Polícia Federal

Uma ação conjunta da Polícia Federal e da Receita Federal foi deflagrada na manhã desta quarta-feira (18) para desarticular uma organização criminosa envolvida em contrabando, descaminho e lavagem de dinheiro. Chamada de Operação Iscariotes, a ofensiva tem como foco um grupo estruturado que também contava com a participação de agentes de segurança pública, incluindo servidores da ativa e aposentados.

 

A investigação, conduzida pela Delegacia de Repressão a Crimes Fazendários em Mato Grosso do Sul (DELEFAZ/MS), revelou um esquema sofisticado de importação ilegal de eletrônicos de alto valor. As mercadorias entravam no país sem documentação fiscal e sem controle aduaneiro, sendo posteriormente distribuídas em cidades como Campo Grande (MS) e em municípios de Minas Gerais.

Para evitar fiscalização, os investigados utilizavam veículos com compartimentos ocultos e misturavam os produtos ilegais a cargas regulares. Também foram identificadas práticas de ocultação de valores obtidos com as atividades ilícitas, caracterizando lavagem de capitais.

Segundo as apurações, agentes públicos teriam contribuído com o esquema ao fornecer informações sigilosas de sistemas policiais e até participar do transporte das mercadorias, utilizando a função para facilitar a ação criminosa. Durante a investigação, houve flagrantes que indicam envolvimento direto de policiais.

 

Divulgação/Polícia Federal

Empresa interditada durante a operação

Com base nas provas reunidas e após manifestação do Ministério Público Federal, a Justiça Federal autorizou uma série de medidas cautelares. Entre elas estão 31 mandados de busca e apreensão, quatro prisões preventivas, monitoramento eletrônico de um investigado e o afastamento de dois servidores de suas funções. Também foram determinadas suspensões de porte de arma e o bloqueio de bens avaliados em cerca de R$ 40 milhões.

 

As medidas incluem ainda o sequestro de imóveis e veículos, além da suspensão das atividades de empresas ligadas ao grupo. Ao todo, cerca de 90 ordens judiciais foram cumpridas com a participação de mais de 200 policiais.

A operação foi deflagrada em cidades de Mato Grosso do Sul e Minas Gerais, incluindo Campo Grande, Dourados, Belo Horizonte, Vespasiano e Montes Claros, e contou com apoio de corregedorias de diferentes forças de segurança.

 

As investigações continuam para identificar outros envolvidos e aprofundar a apuração dos crimes.

Com informações da Polícia Federal.