Leonardo Cabral em 17 de Março de 2026
Leonardo Cabral/ Diário Corumbaense
Os trabalhos de prevenção e combate aos incêndios florestais no Pantanal começaram mais cedo, diante da expectativa de uma temporada mais severa em 2026. Apesar de 2025 ter sido considerado um ano “tranquilo”, com resultados positivos na redução de focos de calor, a previsão atual indica um cenário mais desafiador, principalmente por fatores climáticos.
Em entrevista ao Diário Corumbaense, o major do Corpo de Bombeiros Militar, Eduardo Rachid Teixeira, subdiretor de Proteção Ambiental, afirmou que a corporação vem se preparando com antecedência para enfrentar possíveis ocorrências de grande escala.
Segundo ele, experiências negativas registradas em anos anteriores, como 2019, 2020, 2023 e 2024, contribuíram para o aprimoramento das estratégias de combate. “Hoje, em 2026, temos a certeza de que o incêndio florestal vai acontecer — o que não sabemos é a dimensão. Por isso, a preparação é contínua, mesmo após uma temporada anterior com resultados bastante positivos”, destacou.
A preparação inclui manutenção e substituição de equipamentos, além da formação e capacitação de brigadas. O planejamento também leva em consideração previsões climáticas, que apontam influência do fenômeno El Niño durante o período de seca, com possibilidade de ondas de calor intensas.
“Estamos nos preparando tanto em termos de material quanto de efetivo para responder com eficiência no período crítico”, afirmou o major.
Série histórica e desafios
O ano passado registrou um dos melhores resultados da série histórica em relação aos focos de calor, sendo o segundo menor índice de área queimada. De acordo com o major, esse desempenho foi resultado não apenas das condições climáticas favoráveis, mas também da atuação integrada entre diferentes órgãos.
Entre os fatores que contribuíram estão as chuvas fora de época e o trabalho conjunto do Corpo de Bombeiros, Prevfogo, Polícia Militar Ambiental e Ibama. “A redução dos focos iniciais permitiu que as equipes atuassem com mais assertividade”, explicou.
No entanto, ele avalia que esse cenário dificilmente será repetido em 2026.
Mobilização antecipada
Mesmo durante o período de chuvas, equipes já estão sendo deslocadas para regiões estratégicas. A ideia é garantir resposta rápida assim que as condições favorecerem o surgimento de incêndios.
“O Pantanal convive com o fogo historicamente. Por isso, não se trata de esperar se vai acontecer, mas de quando e onde”, ressaltou.
As regiões da Nhecolândia e do norte do estado estão entre as áreas de maior atenção, especialmente em anos com menor volume de cheias. Nessas condições, áreas tradicionalmente alagadas tornam-se mais suscetíveis ao fogo.
Além disso, há preocupação com incêndios que se originam em estados vizinhos e avançam para Mato Grosso do Sul, especialmente vindos de áreas de preservação.
Brigadas comunitárias
Divulgação/Arquivo
Formação de brigadas comunitárias é uma das estratégias do trabalho de prevenção
Uma das principais estratégias para 2026 é a ampliação da formação de brigadas comunitárias. Proprietários rurais podem solicitar treinamentos diretamente em suas propriedades, com orientação sobre manejo do fogo e uso de equipamentos.
A iniciativa também contempla comunidades ribeirinhas e indígenas, em parceria com o Prevfogo. A proposta é fortalecer a resposta local, considerando que o Estado não consegue estar presente em todas as áreas.
Neste ano, há previsão de repasse de recursos federais para equipar essas brigadas com itens como bombas costais, abafadores e equipamentos de proteção individual.
Efetivo reforçado
Para a temporada, cerca de 400 militares atuarão diretamente no combate aos incêndios, com o apoio de outros 197 profissionais mobilizados conforme a demanda.
Também estão previstas até 11 bases avançadas em pontos estratégicos do Pantanal, dependendo das condições de acesso e do terreno.
A estratégia busca ampliar a capacidade de resposta e reduzir o tempo de atuação diante de novos focos, em um ano que já é considerado de alto risco.
