PorErik Silva13 de março de 2026
A Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal inicia nesta sexta-feira o julgamento virtual que vai decidir se referenda a decisão do ministro André Mendonça que determinou a prisão do banqueiro Daniel Vorcaro. A sessão está marcada para as 11h e terá a participação de Gilmar Mendes, Luiz Fux e Nunes Marques.
Dias Toffoli se declarou suspeito e não integrará o julgamento, reduzindo o colegiado a quatro votos. Em caso de empate o placar favorecerá Vorcaro, e o banqueiro pode ser solto.
No julgamento também será avaliada a manutenção das prisões de Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro e apontado como operador financeiro, e de Marilson Roseno da Silva, escrivão aposentado da Polícia Federal que teria auxiliado no acesso a informações sigilosas das investigações.
Vorcaro voltou a ser preso no dia 4 deste mês na terceira fase da Operação Compliance Zero, deflagrada pela Polícia Federal para apurar fraudes no Banco Master e a tentativa de compra da instituição pelo Banco Regional de Brasília, BRB, vinculado ao governo do Distrito Federal.
O ministro André Mendonça atendeu ao pedido de prisão formulado pela Polícia Federal após novos elementos da investigação indicarem que Vorcaro teria dado ordens diretas para intimidação de jornalistas, ex-empregados e empresários, além de ter acesso prévio ao conteúdo das apurações.
Mensagens encontradas no celular do banqueiro, apreendido pela Polícia Federal, mostram ameaças a Lauro Jardim, do jornal O Globo, em diálogo com Luiz Phillipi Mourão, conhecido como Sicário. Mourão também foi preso na terceira fase da operação e atentou contra a própria vida na carceragem da Polícia Federal em Belo Horizonte.
A investigação apontou ainda que Vorcaro mantinha contato direto com dois servidores do Banco Central, recebendo informações sobre o andamento das apurações contra o Master no órgão.
Em 17 de novembro do ano passado o banqueiro foi preso pela primeira vez ao tentar embarcar em jatinho particular com destino a Dubai, nos Emirados Árabes. No dia seguinte o Banco Central decretou a liquidação do Master por suspeita de fraudes.
Após essa prisão a defesa obteve habeas corpus na Justiça Federal em Brasília, e Vorcaro passou a cumprir prisão domiciliar sob monitoramento por tornozeleira eletrônica.
