Mulher é morta asfixiada pelo marido e MS chega ao 6º feminicídio de 2026

Campo Grande News em 08 de Março de 2026

Reprodução

Leise Aparecida Cruz, de 40 anos, foi encontrada morta dentro de casa na noite de sexta-feira (6), na rua Professora Cleusa Batista, em Anastácio, distante 122 quilômetros de Campo Grande. O acusado é o marido da vítima, Edson Campos Delgado.

 

Conforme apurado pela reportagem, inicialmente, Edson disse às autoridades que havia encontrado a esposa sem vida e levantou a hipótese de suicídio. No entanto, durante as investigações, ele acabou confessando que a asfixiou.

A Polícia Civil foi acionada pelo Centro de Operações da Polícia Militar após receber a informação sobre o caso. Investigadores, acompanhados pelo delegado responsável e pela perícia, foram ao local, onde constataram que a área já estava preservada pelo Corpo de Bombeiros.

Segundo o relato inicial do acusado, ele saiu para trabalhar por volta das 7h, deixando a esposa em casa. Por volta das 13h, retornou para levar o almoço e disse que ela aparentava estar bem, voltando em seguida ao trabalho. À noite, por volta das 22h30, ao retornar, encontrou a residência totalmente escura, o que considerou estranho. A porta principal estava trancada, então ele entrou por outra porta com vidro quebrado. Dentro da casa, encontrou a esposa deitada na cama, de bruços. Sem obter resposta ao chamá-la, acionou o Corpo de Bombeiros, que confirmou o óbito.

 

Reprodução/Rede Social

Marido acabou confessando ter matado a mulher

Durante o depoimento, Edson também relatou que a esposa sofria de depressão, fazia uso de medicação controlada e já teria tentado suicídio anteriormente. Ele mencionou ainda que Leise reclamava de dores no estômago após usar Mounjaro, medicamento para perda de peso adquirido no Paraguai.

 

Mas, com o avanço das investigações, Edson confessou ter matado a esposa por asfixia e está preso. 

Desabafo de uma filha

Neste domingo (8), Dia Internacional da Mulher, o desabafo de uma filha revela os detalhes do feminicídio. Leisiane Cruz Vieira descreve a data como “o dia mais doloroso da minha vida”. 

Mesmo depois do crime, Edson Delgado permaneceu na casa com o corpo da mulher. Às 8h30, uma mensagem chegou ao celular de Leisiane, enviada do WhatsApp da mãe. “Bom dia flor do dia”.

Era exatamente assim que Leise costumava falar com a filha todos os dias. Sem imaginar o que havia acontecido, Leisiane respondeu normalmente. Só mais tarde descobriria que, naquele momento, a mãe provavelmente já estava morta. Segundo a filha, depois daquela conversa o celular de Leise deixou de responder.

Somente no fim da noite, por volta das 23h, Edson entrou em contato dizendo que a mulher estava passando mal e que havia chamado socorro. Pouco depois, afirmou que a levava ao hospital.

À 1h58 da madrugada, ligou para o marido de Leisiane informando que Leise havia morrido. Até então, a família acreditava que poderia se tratar de um problema de saúde.

A verdade começou a aparecer após a análise inicial do IMOL (Instituto de Medicina e Odontologia Legal), que apontou sinais de asfixia. Diante das evidências, o homem acabou confessando o crime.

Relacionamento que mudou

 

Direto das Ruas/CG News

Mãe e filha em encontro recente

Leisiane conta que o relacionamento entre os dois nem sempre parecia violento. Eles se conheciam desde a época da escola e já haviam sido casados anteriormente. Anos depois, se reencontraram e retomaram a relação, cerca de cinco anos atrás.

 

Da união nasceu um menino, hoje com três anos, que após a morte da mãe passou a ficar sob os cuidados dos avós.

Segundo a filha, no início Edson demonstrava ser uma pessoa completamente diferente. “Ele era um doce, um anjo, muito carinhoso. Quando foram morar juntos, ele começou a ser completamente possessivo. Controlava o dinheiro dela, fazia violência financeira para que ela não pudesse sair de casa.”

De acordo com a filha, a mãe falava sobre o sofrimento dentro da relação e chegou a dizer que pensava em denunciá-lo. “Ela dizia que ia denunciar, mas tinha medo.”

Dor que vira denúncia

No texto enviado à reportagem, Leisiane descreve a mãe como uma mulher cheia de vida e profundamente dedicada aos filhos. “Minha mãe sempre foi uma pessoa extremamente alegre, cheia de vida, cheia de luz. Quem conhecia a Leise sabia que ela iluminava qualquer ambiente.”

Para a filha, falar sobre o que aconteceu também é uma forma de impedir que a história da mãe seja esquecida. “Minha mãe não era apenas mais um nome. Ela era filha, mãe, amiga. Uma mulher cheia de sonhos.”

A Polícia Civil investiga o caso como feminicídio, o sexto registrado em Mato Grosso do Sul em 2026.